O secretário-geral do PCP afirmou este sábado que está em curso no país um "Bloco Central informal" entre PSD e PS, convergência em que os sociais-democratas já preparam uma revisão constitucional a pretexto de uma reforma na justiça.

Esta análise foi feita por Jerónimo de Sousa no encerramento de uma conferência nacional promovida pelo PCP sobre educação, intitulada "A escola pública" e que decorreu na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

De acordo com o líder comunista, a convergência do PS com os partidos à sua direita "ficou bem patente no bloco de oposição que formou contra as propostas do PCP de alteração às normas gravosas da legislação laboral".

A opção do PS de se unir na votação ao PSD e CDS no chumbo das iniciativas do PCP mostra que há muito a fazer para remover a velha política que indistintamente governos de uns e de outros levaram à prática no país com graves consequências sociais. É significativo o posicionamento do PS e a sua convergência com PSD e CDS e não pode deixar de ser reconhecido como um momento marcante da nova fase da vida política nacional", advertiu Jerónimo de Sousa.

Na perspetiva do secretário-geral do PCP, na atual fase política, é também "significativo o processo de reaproximação [PS/PSD] e de assumida articulação e procura de consensos envolvendo o conjunto dos partidos responsáveis pela governação que conduziu o país à grave situação de fragilidade e atraso económico e social em que se encontra".

Uma convergência que está em curso em novos domínios, dos fundos comunitários à descentralização, dando expressão a uma espécie de Bloco Central informal, entre PS e PSD, com a nomeação de interlocutores das partes e com o PSD a ousar já propor a revisão da própria Constituição da República a reboque de uma pretensa reforma da Justiça", frisou Jerónimo de Sousa.

Neste contexto, Jerónimo de Sousa avançou com mais um exemplo de entendimento político entre socialistas e sociais-democratas, referindo que esta semana PS, PSD e CDS se "concertaram na solução que engendraram e aprovaram de desregulação do transporte de passageiros em automóveis ligeiros para servir as multinacionais, como a Uber".

"Uma solução que se traduz num ataque concertado ao sector nacional do táxi. Anda mal o PS se procura a solução para os problemas nacionais com o PSD e CDS, em vez de romper com as políticas do passado de exploração e empobrecimento do povo e de afundamento do país", avisou.