O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou sábado que o presidente do PSD foi “um pouco ingrato” ao criticar a atual solução de Governo e aconselhou-o a não ter “ciúmes”.

Não gosto de ser comentador de comentários de outros dirigentes políticos”, mas o presidente do PSD, Rui Rio, “foi um pouco ingrato”, no discurso que fez hoje na Festa do Pontal, afirmou o líder comunista.

O Governo do PS, “em questões estruturais, de grande relevância, teve sempre o apoio do PSD e do CDS-PP”, justificou Jerónimo de Sousa, que falava aos jornalistas em Montemor-o-Novo (Évora).

À margem de uma visita à Feira da Luz/Expomor, nesta cidade alentejana, o secretário-geral do PCP argumentou que “o PSD não teve nenhum prurido, antes pelo contrário”, em “apoiar e seguir o Governo do PS” em matérias como “a legislação laboral”, a “chamada descentralização” ou “o BCP” e “a banca”.

Portanto, não tenha grandes ciúmes porque isso não vale a pena”, aconselhou Jerónimo de Sousa, aludindo ao presidente do PSD.

A atual solução governativa, graças também à ação dos comunistas, afirmou o líder do PCP, permitiu “novos avanços” e “uma reposição de rendimentos e direitos que tem um grande significado e que teve impacto, aliás, no crescimento económico”.

Na Festa do Pontal, que este ano se mudou para Querença, no interior do concelho de Loulé (Faro), Rui Rio disse que o Governo não tem a vida “assim tão facilitada” até às legislativas de 2019, porque há cada vez mais portugueses a aperceberem-se dos “falhanços” desta governação.

"Ainda muito pela rama"

Já sobre o próximo Orçamento do Estado, o secretário-geral do PCP disse que as negociações “ainda” estão “muito pela rama, tendo em conta que ainda não há proposta de OE” por parte do Governo PS.

Mas, “tendo em conta processos anteriores, estão a um ritmo normal”, frisou o secretário-geral do PCP aos jornalistas, à margem de uma visita que efetuou, no sábado à noite, à Feira da Luz/Expomor, na cidade alentejana.

Segundo Jerónimo de Sousa, subsiste “muita indefinição em relação a matérias que têm a ver com salários, com reformas e pensões, com tributação fiscal, com a proteção social e, particularmente, com a questão do investimento”.

A “falta de investimento” é, precisamente, para o líder comunista, “um problema sério”, porque o Governo PS “está amarrado a compromissos externos, designadamente da União Europeia e da política do Euro”.

Infelizmente, vamos verificar, mais uma vez, que a riqueza que sobrou da produção dos portugueses, vai toda direitinha para o estrangeiro, designadamente para o serviço da dívida, faltando investimento para os transportes, para a saúde, para a educação”, criticou.

Ainda em relação ao próximo OE, “a grande questão que se vai colocar” passa por saber se o país “vai continuar” o atual “caminho, às vezes limitado e insuficiente, mas assente na “reposição de rendimentos e direitos” ou se “vamos parar, travar e recuar”, considerou Jerónimo de Sousa.

Essa é a grande questão que está colocada, mesmo sem conhecer a proposta de OE, que ainda não existe, mas a questão central é saber quais são as opções do PS”, desafiou.