O secretário-geral do PCP comparou esta terça-feira o Governo da maioria PSD/CDS-PP a uma «figueira brava» que, «mesmo enxertada, nunca dá bons frutos», durante o debate sobre a moção de confiança, no Parlamento.

«Uma figueira brava, mesmo enxertada, nunca dá bons frutos. Nas suas raízes, na sua seiva, corre esta política económica, social e financeira que é um espartilho à nossa independência», afirmou Jerónimo de Sousa, referindo-se à recente remodelação governamental que se seguiu às demissões dos ministros de Estado Vítor Gaspar e Paulo Portas.

Para o deputado comunista, o agora vice-primeiro ministro e líder democrata-cristão enganou-se ao dizer que a rejeição da moção censura de «Os Verdes», há uma semana, se transformou em moção de confiança.

«Quem prova de mais, prova de menos. Foi apenas para demonstrar cá para dentro e lá para fora que um Governo em cacos podia prosseguir o pacto de agressão. Não se entendeu bem onde acabava o ridículo e a tragédia», continuou.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, defendeu que, «hoje, o país não tem dúvidas de que se falharmos o cumprimento do programa de assistência o que nos espera é muito pior».

«É esse o objetivo deste Governo, sem chantagem, sem resignação e sem medo, com esperança para Portugal», disse o Chefe do executivo, assinalando que a coligação tem conseguido ultrapassar as suas divergências.

O líder comunista criticou ainda o facto de o Presidente da República ter «acarinhado» o Governo, disse que «valeu tudo para levar o pacto de agressão até ao fim» e escusou-se a comentar as «'sombras' deste ou daquele ministro».

«Não creio que alguém tenha assinalado que, durante o tempo que vivemos, a Constituição não tenha sido respeitada. Temos de distinguir as diferenças políticas e de opinião daquilo que são as regras da soberania democrática. Nós temo-las respeitado, todos em conjunto», contrariou Passos Coelho.

Jerónimo de Sousa voltou a defender a mudança das políticas porque «não há novo ciclo sem rotura e mudança, sem criar mais riqueza e distribuí-la melhor, sem devolver aos reformados e pensionistas e pequenos e médios empresários aquilo que lhes foi roubado e confiscado».