O PCP afirmou este  sábado que a entrevista concedida pelo primeiro-ministro ao jornal «Expresso» é própria de um «derrotado» e de um Governo «perigoso», considerando ainda compreensível a abertura deixada a uma coligação com o PS.

Estas posições foram assumidas em declarações aos jornalistas por Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do PCP, à margem de um encontro nacional promovido por este partido no pavilhão Paz e Amizade em Loures, subordinado ao tema «Soluções para o país».

«Trata-se de uma entrevista de um primeiro-ministro derrotado, de um Governo derrotado, mas nem por isso menos perigoso, já que reafirma a intenção de prosseguir com a mesma política que está a conduzir o país para o desastre», reagiu o dirigente comunista, citado pela Lusa.

Vasco Cardoso referiu-se depois em tom crítico ao facto de Pedro Passos Coelho ter dito ao jornal «Expresso» que o seu executivo PSD/CDS comeu o pão que o diabo amassou.

«Quem comeu o pão que o diabo amassou foi o povo português com a destruição do emprego, com os cortes nos salários ou destruição do Serviço Nacional de Saúde. Foram três anos para esquecer do ponto de vista da ação governativa», contrapôs.

O membro da Comissão Política do PCP declarou ainda compreender «o desafio e de certa forma a disponibilidade do primeiro-ministro para futuras coligações com o PS».

«De facto, nos últimos 38 anos, PSD, CDS e PS alternam-se no poder, mantendo no essencial a mesma política - uma política que favorece os interesses dos grupos económicos e financeiros e distante das aspirações e dificuldades que o nosso povo enfrenta. Este ano de 2015, com a luta dos trabalhadores, pode ser um ano de mudança a sério, dando uma resposta às aspirações do povo e que passa pelo reforço do PCP e da CDU», sustentou.

Confrontado com a notícia divulgada este sábado pelo jornal «Público», segundo a qual Pedro Passos Coelho terá estado entre 1999 e 2004 sem pagar contribuições à segurança social, Vasco Cordeiro não comentou o caso. E justificou: «O julgamento que fazemos do Governo é essencialmente político. Este Governo tem uma política verdadeiramente desastrosa para os interesses nacionais, impondo sacrifícios aos trabalhadores e ao povo ao mesmo tempo que favorece os grandes grupos económicos e financeiros. Esse é o julgamento central que fazemos deste Governo e deste primeiro-ministro».