O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje «curioso» que a próxima avaliação da troika ocorra depois das eleições autárquicas, alertando que o Governo se prepara para executar medidas «brutais» contra os portugueses.

«É curioso que a tal troika estrangeira tenha adiado para depois das eleições de 29 de setembro a sua nova avaliação. Não querem que os portugueses saibam que este Governo se dispõe a executar medidas brutais», afirmou, referindo-se a notícias divulgadas na semana passada.

As declarações de Jerónimo de Sousa remetiam para notícias publicadas na imprensa no final da semana passada, segundo as quais a próxima avaliação da troika, que concentra o oitavo e o nono exames regulares ao Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) e que vai definir o essencial do Orçamento do Estado para 2014, será adiada e deverá começar entre 09 e 15 de setembro. No entanto, a data não está fechada.

De acordo com o secretário-geral do PCP, as «medidas brutais» vão atingir «duramente os interesses dos trabalhadores, os reformados, o Serviço Nacional de Saúde, a proteção social e a educação», entre outros setores.

O secretário-geral do PCP falava em Avis, no distrito de Portalegre, durante um encontro com simpatizantes e militantes do partido, tendo sido feita também a apresentação das listas da CDU aos diversos órgão autárquicos do concelho durante esta ação.

Jerónimo de Sousa, que apelou ao voto na CDU nas eleições autárquicas de 29 de setembro, e mostrou-se mais uma vez contra o «pacto de agressão», considerou igualmente «estranho» que o conteúdo de Orçamento do Estado para 2014 só seja conhecido depois da votação.

«Depois das eleições lá se conhecerão quais são os cortes e os roubos nas pensões e nas reformas», disse.

Por isso, alertou, os comunistas não podem ficar «desligados» da situação nacional ao longo das próximas eleições autárquicas.

«Nesta batalha autárquica não podemos desligar da situação nacional, desse pacto de agressão que foi subscrito pelos três partidos (PS, PSD, CDS-PP)».

Sobre o recuo para 16,7% da taxa de desemprego no segundo trimestre, Jerónimo de Sousa considerou que o primeiro-ministro ao anunciar que há um sinal de abrandamento do desemprego, tratou-se de uma expressão de «trafulhice».

«Passos Coelho tem a consciência que nesta época sazonal aumenta naturalmente o turismo, que há algum crescimento do emprego», disse.