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PCP contra voto de pesar pelo falecimento de Vaclav Havel

Jerónimo de Sousa até saiu da sala. José Lello brincou, perguntando se haverá voto de pesar pela morte do «querido líder»

Por: tvi24 / CP  |  22- 12- 2011  13: 5

Jerónimo de Sousa - Parlamento AR Orçamento do Estado 2012 10 Nov. 2011

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A Assembleia da República aprovou por maioria, com os votos contra do PCP, um voto de pesar pelo falecimento do antigo presidente da Checoslováquia Vaclav Havel, com PS, PSD, CDS-PP e deputados do BE a aplaudir de pé.

Durante a votação, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, abandonou o hemiciclo, tendo regressado logo após os deputados votarem.

As bancadas do PS, PSD e CDS-PP aplaudiram prolongadamente e de pé a votação do voto de pesar, enquanto no BE também houve aplausos, nomeadamente do líder, Francisco Louçã, e pelo menos as deputadas Ana Drago e Catarina Martins também aplaudiram de pé.

O PCP votou contra e «Os Verdes» abstiveram-se, tendo os restantes partidos votado favoravelmente.

O deputado socialista José Lello pediu a palavra para perguntar à mesa se tinha dado entrada um voto de pesar pelo falecimento do «querido líder», numa referência ao ditador da Coreia do Norte, falecido recentemente, a quem o PCP expressou as suas condolências.

No texto aprovado, subscrito por todos os partidos com excepção do PCP e de «Os Verdes», são recordadas as palavras do escritor checo Milan Kundera, que afirmou que «a principal obra de Vaclav Havel terá sido a sua própria vida».

Intelectual, «dramaturgo, dissidente e activista pela democracia», Havel escreveu a sua primeira peça em 1963, «A festa no jardim», aclamada «quer como marco do teatro do absurdo, quer como denúncia da burocratização desumanizadora do regime» checoslovaco.

«Politicamente activo desde a juventude, o dinamismo da sua dissidência com o regime tonar-se-ia mais evidente após a supressão da Primavera de Praga em 1968, quando a força dos tanques calou as aspirações de reformas dos checos e eslovacos», lê-se no texto.

O voto aprovado salienta a sua detenção e «condenação por subversão» em 1977, por ter subscrito a Carta 77, exigindo «o cumprimento das disposições dos acordos de Helsínquia em matéria de salvaguarda de direitos, liberdades e garantias», tendo sido, dois anos depois, condenado a quatro anos e meio de prisão com o mesmo fundamento.

«Em 1989, asseguraria um novo papel na história do seu país e da Europa, tendo sido uma das figuras chave da Revolução de Veludo, coordenando o movimento que exigia o fim do regime», refere o texto.

Havel foi presidente da Checoslováquia e da República Checa, tendo-se oposto à divisão do país.

O voto de pesar aprovado pelo Parlamento sublinhava «o papel histórico e insubstituível de Vaclav Havel na construção de uma Europa mais livre, justa, solidária e democrática».

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