Por: tvi24 / CP | 22- 12- 2011 13: 5
A Assembleia da República aprovou por maioria, com os votos contra do PCP, um voto de pesar pelo falecimento do antigo
presidente da Checoslováquia Vaclav Havel, com PS, PSD, CDS-PP e deputados do BE a aplaudir de pé.
Durante a votação,
o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, abandonou o hemiciclo, tendo regressado logo após os deputados votarem.
As
bancadas do PS, PSD e CDS-PP aplaudiram prolongadamente e de pé a votação do voto de pesar, enquanto no BE também houve aplausos,
nomeadamente do líder, Francisco Louçã, e pelo menos as deputadas Ana Drago e Catarina Martins também aplaudiram de pé.
O
PCP votou contra e «Os Verdes» abstiveram-se, tendo os restantes partidos votado favoravelmente.
O deputado socialista
José Lello pediu a palavra para perguntar à mesa se tinha dado entrada um voto de pesar pelo falecimento do «querido líder»,
numa referência ao ditador da Coreia do Norte, falecido recentemente, a quem o PCP expressou as suas condolências.
No
texto aprovado, subscrito por todos os partidos com excepção do PCP e de «Os Verdes», são recordadas as palavras do escritor
checo Milan Kundera, que afirmou que «a principal obra de Vaclav Havel terá sido a sua própria vida».
Intelectual,
«dramaturgo, dissidente e activista pela democracia», Havel escreveu a sua primeira peça em 1963, «A festa no jardim», aclamada
«quer como marco do teatro do absurdo, quer como denúncia da burocratização desumanizadora do regime» checoslovaco.
«Politicamente
activo desde a juventude, o dinamismo da sua dissidência com o regime tonar-se-ia mais evidente após a supressão da Primavera
de Praga em 1968, quando a força dos tanques calou as aspirações de reformas dos checos e eslovacos», lê-se no texto.
O
voto aprovado salienta a sua detenção e «condenação por subversão» em 1977, por ter subscrito a Carta 77, exigindo «o cumprimento
das disposições dos acordos de Helsínquia em matéria de salvaguarda de direitos, liberdades e garantias», tendo sido, dois
anos depois, condenado a quatro anos e meio de prisão com o mesmo fundamento.
«Em 1989, asseguraria um novo papel
na história do seu país e da Europa, tendo sido uma das figuras chave da Revolução de Veludo, coordenando o movimento que
exigia o fim do regime», refere o texto.
Havel foi presidente da Checoslováquia e da República Checa, tendo-se oposto
à divisão do país.
O voto de pesar aprovado pelo Parlamento sublinhava «o papel histórico e insubstituível de Vaclav
Havel na construção de uma Europa mais livre, justa, solidária e democrática».
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