O eurodeputado do PSD Paulo Rangel disse, neste sábado, que o partido vai "fazer tudo" para vencer as autárquicas de 2017, mas é ainda prematuro colocar o foco nessa matéria, até porque o atual Governo "está a pôr Portugal em risco".

"Temos de nos concentrar muito agora nos riscos que alertou ontem [sexta-feira] o presidente do partido, os riscos a que o Governo está a expor Portugal. O Governo de António Costa, apoiado também pela esquerda radical, está a pôr Portugal em risco", realçou Paulo Rangel, que falava aos jornalistas à chegada ao segundo dia do 36.º Congresso Nacional do PSD, que decorre até domingo em Espinho, distrito de Aveiro, reunindo 750 congressistas.

De todo o modo, prosseguiu o eurodeputado social-democrata, este Congresso aprovará uma estratégia autárquica, sendo certo que na "lógica própria" desse sufrágio o PSD irá procurar a vitória.

Vamos fazer tudo para vencer as autárquicas, isso claramente. Mas isso é um assunto que sinceramente julgo que é prematuro estarmos a pôr", vincou.

Presidente dos Autarcas não quer ninguém "no sofá"

O presidente dos Autarcas Social-Democratas (ASD), Álvaro Amaro, fez hoje um apelo para que todos no partido estejam disponíveis para disputar as eleições autárquicas do próximo ano, dizendo que “desta vez não vale ficar no sofá”.

Numa das intervenções mais aplaudidas no âmbito da apresentação das propostas temáticas, Álvaro Amaro recordou que o resultado obtido pelo PSD nas autárquicas de 2013 – 106 câmaras contra 150 do PS – foi o pior da história do partido.

“Lixámo-nos mesmo, senhor presidente”, disse, numa alusão a uma frase proferida por Passos Coelho em julho de 2012 – “que se lixem as eleições”.

Para que o PSD possa voltar a vencer as eleições e reconquistar a presidência da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e da Associação Nacional de Freguesias (Anafre), Álvaro Amaro, também autarca da Guarda, pediu a todos que não deixem de participar neste combate por calculismos futuros como os de pensarem em eventuais lugares governativos.

“Todos têm de estar disponíveis, todos os que já estiveram no governo e os que um dia podem chegar ao governo, outros que acham que são muito importantes na política nacional e que é coisa menor a política local, não não é (…). Venham daí, desta vez não vale ficar em casa, no conforto do sofá”, apelou o autarca da Guarda, numa passagem muito aplaudida no congresso que decorre em Espinho, distrito de Aveiro.

Álvaro Amaro lembrou que Pedro Passos Coelho foi ele próprio candidato a uma câmara – a da Amadora, em 1997 -, perdeu-a e isso não o impediu de ser candidato a primeiro-ministro.

“Aqueles que têm a aspiração de serem ministros e pensam ‘se for candidato a uma câmara e perder, será que ele depois me chama para o Governo? Eu vou responder por ele – não há problema, candidatem-se”, desafiou, alertando que se não forem escolhidos os melhores, o PSD poderá voltar a perder as autárquicas.

Álvaro Amaro, presidente dos Autarcas Social-Democratas (ASD), desafiou ainda o PS para uma alteração da lei eleitoral autárquica, a aplicar apenas no sufrágio de 2021, e que permita dar mais governabilidade aos executivos municipais.

“Há muitas câmaras que não têm governabilidade assegurada, é hora de acabar com isto, se não ou muito em engano ou se em 2017 pega a moda, quem não ganhou diz: ‘o senhor presidente ganhou mas não manda nada””, afirmou.

O presidente dos ASD manifestou-se ainda contra uma proposta do Governo PS para que apenas sejam eleitos diretamente os presidentes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

“Então íamos ter dois grandes presidentes eleitos diretamente e os outros? Isso é um desequilíbrio político que o PSD não pode aceitar, eu nunca aceitarei”, assegurou.

Simão Ribeiro, líder da JSD, apresentou a proposta temática desta estrutura, “Fortalecer a Democracia – Continuar a dar passos”, que defende alterações no sistema político, nomeadamente no modelo de financiamento dos partidos.

“O que se passa no pagamento de quotas dos partidos a JSD não quer tolerar mais, quer uma mudança. Toleramos que possam ser feitos donativos aos partidos, desde que devidamente registados e se possa perceber quem doou e o que doou a cada partido”, propôs.