O cabeça de lista da Aliança Portugal escreveu ao grupo parlamentar socialista europeu, ao candidato socialista à Comissão Europeia e à presidente do PS lamentando a associação da candidatura da coligação ao nazismo por Manuel Alegre.

Assis pede «juízo» a Rangel.

Num jantar de campanha em Coimbra, Paulo Rangel defendeu que, «haver pessoas em Portugal que julgam que são os donos da liberdade, que são os bardos dos valores e da ética, e depois associam os outros ao nacionalismo e nazismo, é farsa de democracia e uma falta de ética republicana».

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre acusou na segunda-feira Paulo Rangel de ofender a democracia e de «espírito inquisitorial» - ao dizer que cada voto na Aliança Portugal é um voto «contra o vírus socialista» - e de lembrar quem considerou os judeus «um vírus».

Garantindo que «o caso está encerrado», o primeiro candidato da coligação PSD/CDS-PP afirmou, contudo, que «fica claro que, quando no início da campanha, por duas vezes, Francisco Assis insinuou que as políticas da coligação eram políticas salazaristas, estava numa deriva que afinal parece uma constante da retórica socialista e não apenas uma "gaffe" de início de campanha».

«Quem precisa de chamar aos adversários salazaristas, de passar todas as marcas e comparar a nossa campanha ao Holocausto nazi é porque está numa situação de profundo desespero e de grande preocupação», afirmou.

Rangel anunciou ter escrito hoje ao presidente do grupo parlamentar socialista europeu, Hannes Swoboda, ao candidato socialista a presidente da Comissão Europeia, Martin Schulz, e à presidente do PS, Maria de Belém Roseira, «a lamentar profundamente que o PS deixe que um dirigente histórico trate a Aliança Portugal como uma associação com ligações ao nazismo e não tenha a hombridade de pedir desculpas e de se retratar».

Rangel recordou que hoje pediu ao secretário-geral do PS e ao cabeça de lista às europeias, Francisco Asis, que «tivessem ao menos a hombridade de pedir desculpas e ter uma retratação».

Na carta, a que a Agência Lusa teve acesso, Paulo Rangel afirma: «Na segunda-feira, 19 de maio de 2014, em Coimbra (Portugal), num discurso no âmbito da campanha do Partido Socialista português, o senhor Manuel Alegre, representante histórico do PS, associou o meu nome e o da candidatura que represento "ao discurso do partido nazi alemão"».

O eurodeputado social-democrata pede aos responsáveis socialistas que «rejeitem veementemente» tais afirmações.

No seu discurso na segunda-feira, Manuel Alegre disse que Paulo Rangel, ao falar num "vírus socialista", revelou «uma enorme falta de memória histórica, porque há umas dezenas de anos, na Europa, houve um partido [Nacional Socialista] que disse que os judeus eram um vírus que era preciso exterminar».

«O PS não é um vírus mas um grande partido da democracia e da tolerância. Os seus fundadores estiveram presos e depois do 25 de Abril de 1974 não se transformaram de perseguidos em perseguidores - e essa é a nossa superioridade moral», afirmou Manuel Alegre.