Parco, mas direto nas palavras e nos alvos, Paulo Portas saiu da reunião com Cavaco Silva, em Belém, para dizer que é "evidente" que Passos Coelho deve ser primeiro-ministro e que António Costa está a encarar a formação do próximo Governo como uma oportunidade para sobreviver politicamente, depois da derrota que sofreu nas eleições.  

"É absolutamente extraordinário ver um líder político à procura da sua sobrevivência e considerar voto do povo um detalhe e considerar o Parlamento de Portugal uma formalidade"


António Costa foi recebido antes pelo Presidente da República e a ele levou a promessa de um Governo PS com apoio maioritário no Parlamento, leia-se, do Bloco de Esquerda e do PCP, que a porta-voz do BE Catarina Martins confirmou a seguir. 

Não é esse o entender nem do presidente do PSD, Passos Coelho, o primeiro a ser recebido hoje pelo chefe de Estado, nem do seu parceiro na líder da coligação Portugal à Frente. Paulo Portas foi o mais rápido nas declarações que fez aos jornalistas depois do encontro, que durou cerca de 45 minutos e respondeu apenas a uma pergunta. 

Começou por recordar que o povo português fez a sua escolha de forma livre e democrática no dia 4 de outubro. Para si, os factos "são simples":  a PàF venceu, o PS perdeu.

"É evidente que o primeiro passo a seguir, neste momento, é a indigitação de Passos Coelho como tendo um mandato para formar Governo. É ele o líder do maior partido da coligação e é ele o candidato da coligação a primeiro-ministro"


Para o líder do CDS-PP, os resultados eleitorais implicam "grande sentido de responsabilidade e grande sentido de Estado". Ora, para isso entende que é preciso estar à altura de corresponder ao que os portugueses expressaram nas urnas. "O povo disse com clareza que coligação deve governar e procurar compromissos para manter Portugal no quadro do euro e da União Europeia".

Portas voltou a frisar que, em função disso, a coligação procurou "compromissos mínimos, médios ou máximos com o PS" por ser o partido que partilha o essencial da visão europeia e dos compromissos internacionais. As negociações, já se sabe, fracassaram.

É tempo de o Presidente decidir. E a TVI sabe que já decidiu: Cavaco Silva  indigitará Passos Coelho como primeiro-ministro já esta quarta-feira, depois de ouvir PCP, “Os Verdes” e PAN, como manda a Constituição.