O presidente do CDS-PP considerou, este sábado, que renovar a maioria absoluta do PS é legitimar as políticas que penalizam os portugueses, defendendo a necessidade de uma «cultura de compromisso» e de um «entendimento», escreve a Lusa.

«Dar outra vez uma maioria absoluta a um só partido, dar outra vez uma maioria absoluta aos socialistas significa que eles se sentiriam legitimados para continuar a penalizar» os portugueses, afirmou Paulo Portas, em Leiria, à margem de um almoço de apresentação da Comissão Política Concelhia do CDS-PP, no qual estiveram cerca de 150 simpatizantes e militantes do partido.

O dirigente apontou o caso dos pensionistas, que identificou como «a geração mais sacrificada com esta crise», os desempregados, «sem que o Governo perceba que tem de melhorar a rede de protecção social», as pequenas e médias empresas, alvo de «impostos e burocracias», e os mais novos, «que são os novos emigrantes».

Em alternativa a «uma maioria absoluta de um só partido, que gera arrogância e que gera desdém e insensibilidade social», o líder do CDS-PP propôs «uma cultura de compromisso, uma capacidade de chegar a entendimentos, ouvindo as várias partes».

Criticando o primeiro-ministro, que se tem «desdobrado em declarações praticamente em tom de ameaça no sentido de dizer ou lhe dão uma maioria absoluta ou é o caos», Paulo Portas lembrou que em maioria absoluta vive o país e não está «muito longe do caos».

«Eu pergunto aos professores, aos agricultores, aos pensionistas, aos contribuintes, a quem está no desemprego, à classe média portuguesa: Acham que estão bem?», questionou o presidente do partido, que acrescentou: «Não estamos, mas estamos em maioria absoluta.»

O presidente do CDS-PP disse mesmo que «chega a ser extraordinário que o primeiro-ministro se insinue se não tiver uma maioria absoluta há caos». «Essas ameaças da maioria absoluta vêm de quem só sabe ameaçar», afirmou Paulo Portas, que desafiou os portugueses a pensarem «bem nas próximas eleições».