Paulo Portas admitiu esta segunda-feira que "se vier a ser necessário" apoiará uma subscrição pública para os lesados do BES recorrerem à justiça. Em entrevista à RTP, o vice-primeiro-ministro disse que, no que toca ao caso BES, o Governo não lavou as mãos da questão, mas antes "tomou opções certas", acrescentando que o se o PS estivesse no governo, o BES tinha sido nacionalizado.

"Se fosse o PS, o BES tinha sido nacionalizado ou a Caixa Geral de Depósitos tinha entrado a apoiar uns grupos privados contra outros grupos privados. A resolução não é sistema perfeito mas é francamente melhor que a nacionalização."


Questionado sobre se apoiaria uma subscrição pública para que os lesados do BES recorram à justiça, como admitiu o presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, Portas respondeu: "Se vier a ser necessário, com certeza".

Sobre se o acesso à justiça deve depender de subscrições públicas, Paulo Portas saiu em defesa de Passos Coelho: "Ele não colocou a questão assim, sugeriu que se viesse a ser necessário isso podia suceder".

"Tanto quanto sei, há mais de 700 pessoas que já entraram na justiça", referiu, sublinhando uma distinção entre investimento de risco e matérias como "fraude, manipulação e engano".

O líder centrista quis chamar "a atenção para a circunstância de não terem sido os responsáveis políticos a vender papel comercial a ninguém".

"Eu tenho sido daqueles que sempre ouvi os lesados do BES quando me pediram para os ouvir, que fui crítico publicamente da pouca colaboração entre reguladores para procurar resolver o problema de muita gente cujo problema em acho que é sério, distinguindo o que são investimentos de risco - que evidentemente quando se ganha, ganha-se, quando se perde, perde-se - do que possam ser fraude, manipulação, levar alguém ao engano", disse.

Neste último caso, disse, há que "provar e dar prova" de que Portugal é um "Estado de direito e que é possível fazer justiça".

Na parte final da entrevista, Paulo Portas foi questionado sobre ter voltado atrás na decisão que qualificou de "irrevogável" de se demitir do Governo em 2013 e respondeu com um ataque a António Costa.

"Eu tomei uma decisão de demissão, que qualifiquei como irrevogável, revoguei-a, pago um preço por isso. Outro dia ouvi o doutor António Costa dizer com um ar moralista que palavra dada é palavra honrada. Lembra-se da palavra que ele deu aos cidadãos de Lisboa, que ficava até ao final do mandato?"