Paulo Portas defendeu esta segunda-feira, em entrevista à TVI, que a situação política atual deve respeitar a vontade popular expressa nas eleições: a coligação ganhou e por isso é ela que deve tomar as rédeas da governação, mas com "compromissos" que a coligação só consegue imaginar com o PS. O problema é que, diz o líder do CDS, Paulo Portas considerou "irrelevantes" medidas cruciais como a abertura da coligação para acelerar a devolução da sobretaxa. E ainda por cima fez uma "insinuação grave" em que deixou de lado o "sentido de Estado" sobre as alegadas contas que o Governo PSD/CDS estaria a esconder dos portugueses. E que não está a ocultar, garante.

"Com toda a franqueza em nenhuma das reuniões questão foi levantada. Vou ser severo porque acho que devo ser, não há o direito de lesar a credibilidade externa de Portugal. Iremos ficar com um défice abaixo de 3%. Não creio que haja alguma surpresa financeira. Não há o direito de lesar a credibilidade de Portugal. Haja sentido de Estado. O que o líder partidário diz, não fica cá, vai para fora. Não se faz isso, as pessoas não merecem isso"


O líder do CDS-PP classifica as declarações de António Costa - "A coligações deixou cair em cada reunião uma surpresa desagradável que um dia ainda se vai tornar pública" -  como uma "insinuação grave" e "porventura o momento em que teve menos sentido de Estado".

"Não fez uma acusação, fez uma insinuação. Quem tem alguma coisa para dizer, deve dizê-lo coisa que ele não fez", afirmou o líder do CDS, que fez notar que o PS veio depois dizer que grave não era o que a PàF tinha dito nas reuniões, mas o que não tinha dito. "Passámos da insinuação para a suposição", notou Portas.

"O PS, sim, sabe o que é esconder contas", atirou ainda. Portas lembrou que atualmente existem órgãos fiscalizadores, como o Conselho de Finanças Públicas, a UTAO, o Banco de Portugal, todos os credores.

Antes, em resposta a José Alberto Carvalho, Paulo Portas comparou a ponderação que António Costa tem feito das negociações à esquerda e a postura frente à direita. 

"A educação para adultos é obstáculo e NATO e euro já não é obstáculo? Foi uma matérias enunciadas pelo dr António Costa. As pessoas têm um limite de paciência para a teatralidade da política"

Apesar disso, reiterou que a coligação Portugal à Frente continua disponível para um "acordo de mínimos, médios e máximos" com o PS e disse mesmo que tem uma "reserva de esperança" que ainda possa vir a "cair em si" e que um acordo seja possível. Portas até admite, se ainda vier a ser possível um Governo PSS-PS-CDS, deixar de ser o número dois

Continuar neste impasse político é que não. "Seria gravíssimo, muito grave o risco" depois de "um enorme esforço feito pela generalidade dos portugueses". A menos que haja "sentido de governabilidade que coligação tem demonstrado e que PS tem deixado muito a desejar", uma vez que não apresentou "uma única proposta negocial com definição de prioridades e métodos de trabalho".

"No chamado documento facilitador, procurámos fazer uma aproximação e não foram matérias irrelevantes: não acho irrelevante acordo para devolução da sobretaxa ser mais célere, não acho indiferente a condição de recurso no complemento solidário idosos e para usaar uma expressão que se tem dito, retirar os muros que existem para se fazer uma reforma da segurança social"


Mais uma crítica direta à postura do PS e outra implícita a António Costa quando Portas aludiu aos muros. Mas para Costa, a espécie de "Muro de Berlim" que se quebrou agora foi à esquerda, onde o diálogo e as pontes parecem mais possíveis do que com a coligação. 

Portas insistiu que ficou "muito impressionado" pelo facto de a comitiva socialista não ter "nenhum documento político, nenhuma segunda proposta e nenhuma contraproposta". "Quando se tenta um acordo com alguem tem de haver dupla boa vontade: se me dizem que é insuficiente, que me digam qual é a [proposta] suficiente", desafiou.

Hoje mesmo, o secretário-geral do PS respondeu à missiva que Pedro Passos Coelho enviou no domingo, na qual o presidente do PSD desafiou o secretário-geral do PS a dizer com clareza se pretende entrar numa coligação de Governo com sociais-democratas e centristas. Costa alega na resposta que o presidente social-democrata procura agora inverter o ónus de ter posto um ponto final nas conversações e sustenta que as divergências não são de lugares, mas de "reorientação de política".

TVI sabe que o Presidente da República já tomou uma decisão e que vai indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro. O anúncio será feito logo após as audiências com os partidos