O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, manifestou «simpatia» por uma candidatura de Jean-Claude Juncker à presidência da Comissão Europeia, defendendo que é um político «experiente e respeitado» e bem aceite no sul, norte e centro da Europa.

«O CDS sinalizou a sua simpatia por Jean-Claude Juncker, antigo primeiro-ministro do Luxemburgo, um político europeu muito experiente, um democrata-cristão de coração e razão, que conhece muito bem Portugal, porque os portugueses são uma parcela muito importante da população do Luxemburgo, e que é, em geral, por ser um político experiente e respeitado, bem aceite no sul da Europa, no norte da Europa e no centro da Europa», afirmou Paulo Portas.

A posição do líder centrista foi transmitida na quinta-feira ao presidente do Partido Popular Europeu (PPE) e foi hoje comunicada por Portas aos jornalistas numa declaração antes da reunião da comissão política nacional do CDS-PP.

«Eu tenho muitas vezes referido que precisamos de uma Europa mais coesa e sem preconceitos culturais», afirmou, manifestando a sua preferência por Juncker, "dentro das candidaturas já apresentadas".

O processo de seleção do candidato do Partido Popular Europeu (PPE) ao cargo de presidente da Comissão Europeia teve início na quinta-feira, com a abertura da apresentação de candidaturas, a três semanas da designação, agendada para Dublin.

A submissão de candidaturas estará aberta até 05 de março, véspera da cimeira do PPE em Dublin, dias 06 e 07, na qual será designado o candidato daquela que é atualmente a maior família política europeia, tanto no Parlamento Europeu como ao nível do Conselho (chefes de Estado e de Governo), e na qual estão integrados PSD e CDS-PP.

A três semanas da escolha do PPE, a única grande família política ainda sem candidato à presidência do executivo comunitário, no quadro das próximas eleições europeias, de maio, são vários os nomes de que se tem falado de «candidatos a candidatos», surgindo para já à cabeça como favorito o ex-primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker.

Todavia, o «suspense» deverá prolongar-se até Dublin, sendo que o próprio presidente, Durão Barroso, cujo segundo mandato só termina a 31 de outubro, ainda não anunciou se será ou não candidato, embora pareça praticamente afastada a possibilidade de recandidatura, depois de 10 anos no cargo, apesar de os tratados não impedirem um terceiro mandato.

Além de Juncker, outros nomes de que se fala como possíveis candidatos do PPE à liderança da Comissão para 2014-2019 são os atuais chefes de Governo da Polónia, Donald Tusk, da Finlândia, Jyrki Katainen, e da Irlanda, Enda Kenny, o atual comissário europeu do Mercado Interno, o francês Michel Barnier, e o antigo primeiro-ministro letão Valdis Dombrovskis.

A escolha terá lugar em Dublin a 07 de março, numa cimeira na qual participarão os 12 chefes de Estado e/ou de Governo da UE pertencentes ao PPE, entre os quais o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, e ainda os presidentes da Comissão, Durão Barroso, e do Conselho, Herman van Rompuy.

Esta é a primeira vez que as famílias políticas apresentam candidatos à presidência da Comissão Europeia, no quadro das primeiras eleições europeias realizadas à luz do Tratado de Lisboa, que conferiu mais poderes à assembleia, incluindo o resultado do sufrágio ser «tido em conta» na designação do presidente da Comissão, que continua a pertencer ao Conselho.

De momento, os candidatos a presidente da Comissão são o alemão Martin Schulz, pelos Socialistas Europeus (atualmente o segundo maior grupo político europeu, em que se inclui o PS, e que, segundo diversas sondagens, poderá aproximar-se ou mesmo ultrapassar o PPE), o belga Guy Verhofstadt, pelos Liberais (hoje a terceira família do hemiciclo europeu), o grego Alexis Tsipras, pelo Grupo da Esquerda Unitária (em que se encontram as delegações do Bloco de Esquerda e PCP), e o francês José Bové e a alemã Ska Keller, pelos Verdes, acrescenta a Lusa.