A Irlanda demonstra que é possível um ajuste externo com saída positiva e os portugueses são pragmáticos e, depois de três anos de sacrifícios e a sete do final do programa, não querem "«estragar tudo», disse esta sexta-feira Paulo Portas.

«Acho que o sentimento dominante da sociedade portuguesa, é de que quando mais nos aproximamos do final, mais as pessoas querem que resulte e termine bem e que recuperamos a nossa autonomia», afirmou em Madrid.

«As pessoas são muito pragmáticas. Já fizeram quase 3 anos de esforços. Estamos a sete meses do final. Não vamos estragar tudo. Isso é puro bom senso», afirmou perante centenas de empresários e responsáveis de empresas espanholas e multinacionais, no Fórum de Alumni da IE Business School, onde foi o convidado principal.

Portas foi questionado, num debate com Guillermo de la Dehesa, presidente do International Advisory Board da IE, sobre como avaliava o fim do programa de apoio à Irlanda e do resgate à banca espanhola.

Sem tecer quaisquer comparações entre as duas situações e Portugal ou sem explicar se haverá ou não um programa cautelar, Paulo Portas insistiu que o caso da Irlanda demonstra que «é possível ter um ajuste externo com saída positiva».

«Portugal está próximo do final do programa. Temos os nossos trabalhos para fazer. Depois falaremos de como sair do programa. Continuamos a trabalhar para cumprir objetivos, baixar juros. Acho que o vamos conseguir. Sempre o conseguimos. Os portugueses têm essa faceta, nos momentos mais duros, agigantam-se e superam-se», disse.

«Pensamos terminar o programa em junho de 2014, recuperar para Portugal a nossa autonomia, aquela parte de soberania política que nos falta desde maio de 2011. E vamos conseguir isso», disse.