"Portugal precisa de um governo maioritário". Foi desta forma que Paulo Portas respondeu a José Alberto Carvalho, no programa "Tenho uma pergunta para si", na TVI e TVI24, sobre o que o país terá no dia das eleições legislativas de 4 de outubro. 

"A única proposta nítida de governo maioritário é a que é apresentada pela coligação. As pessoas sabem com o que contam, tudo o mais são cenários de instabilidade", antecipou. 
 

O líder do CDS e vice-primeiro-ministro quis deixar uma mensagem para uma franja particular do eleitorado.

"É por isso que apelo quer à classe média quer aos indecisos. Quando há alguma coisa entre ganhar ou perder, optam pelo que é seguro e não no que é aventureiro"


Já depois da entrevista, num segundo painel, a jornalista e comentadora da TVI Constança Cunha e Sá questionou o vice-primeiro-ministro sobre que o faz pensar que a classe média levará a sério esse apelo, "depois de ter sido enganada e esmifrada".

"Eu, com humildade, respondo-lhe que acho que você não tem razão. A classe média não é dada a sentimentos como quanto pior melhor, perdido por cem perdido por mil. Tem os pés assentes na terra. foi a mais prejudicada, agora quem é o responsável? Portugal teve um resgate em 2011"


E disse que a recessão era inevitável. "Obviamente veio a recessão. Quem no seu são juízo pode imaginar que o país estava feliz e contente no dia seguinte a criar emprego? Obviamente que tivemos recessão, obviamente que perdeu-se emprego, obviamente que muitos foram para fora", reconheceu. 

Como contraponto, transmitiu o seu "orgulho" por Portugal conseguir fechar o programa de assistência financeira sem segundo resgate, sem mais dinheiro e mais tempo, antecipando o pagamento de juros ao FMI.

Muito à conta, admitiu, da classe média. "E é por isso que a mais justa homenagem a prestar é à classe média".

Antes, ainda durante a entrevista, Portas usou a imagem de hospital para explicar o caminho que o país teve de trilhar nos últimos quatro anos. E o que tem pela frente.

"Em 2011 fomos parar à unidade de cuidados intensivos, estivemos em coma financeiro, tivemos uma medicação duríssima, tivemos alta e agora estamos a caminhar pelo nosso pé. E o que vamos arranjar é dificuldade em formar maiorias?"

Sobre o facto de as sondagens anteciparam a maioria PSD/CDS e o PS muito próximos, Portas gracejou: ""u pelas sondagens já não estava aqui há muitos anos".
 

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