O presidente do CDS-PP e vice-primeiro-ministro afirmou este domingo que a lista conjunta com o PSD às europeias tem «condições de combatividade» e considerou que o discurso de Passos Coelho no Congresso social-democrata demonstra o empenho na consolidação da recuperação.

«Em relação ao discurso, parece-me bastante importante o sublinhar de que o Governo teve sempre uma estratégia que era a melhor do ponto de vista do interesse nacional, de que Portugal tivesse um só resgate, um só calendário, um só empréstimo, e não cedesse à tentação de um segundo resgate, que significaria mais troika, com mais sacrifícios por mais tempo», afirmou Paulo Portas.

O presidente centrista foi ao encerramento do XXXV Congresso do PSD, que decorreu em Lisboa, num «gesto de reciprocidade» à presença do presidente social-democrata e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no Congresso do CDS-PP, que se realizou em janeiro, em Oliveira do Bairro.

Ainda sobre o discurso do líder do PSD, Portas assinalou que a intervenção demonstrou como ambos estão «empenhados em consolidar os sinais de recuperação económica».

«Há evidentemente uma diferença entre o tempo das estatísticas macro e a forma e o momento em que cada português e cada família as sente em sua casa, mas, como todos sabemos, se não houvesse sinais macro de melhoria era muito difícil ter a esperança de que as pessoas pudessem ter um 2014 melhor, como eu creio que há condições para terem», afirmou.

Sobre as eleições europeias, Portas afirmou que o CDS e o PSD já têm «os motores em condições de avançar».

«Creio que temos uma lista em condições de combatividade», afirmou, considerando a escolha de Paulo Rangel para cabeça de lista «natural», tal como é «natural» que Nuno Melo seja o primeiro nome do CDS-PP.

«O CDS está bem confortável com a escolha, que competia ao PSD, do cabeça de lista para as eleições europeias», afirmou, sublinhando a experiência de Rangel e o trabalho diário de ambos os partidos no âmbito do PPE.

Paulo Portas quis sublinhar que «o PSD e o CDS são dois partidos diferentes, mas já se entenderam sobre quem é o cabeça de lista de uma forma confortável».

O líder centrista reiterou que considera «muito importante» que «os partidos do arco da governabilidade sejam capazes de ter um entendimento para discutir os assuntos que interessam ao país».

«Não há nenhum país nem nenhuma sociedade que passe por um resgate com a dureza que teve o resgate que Portugal sofreu e não tire daí as lições para o futuro», declarou.

Portas insistiu ainda na reafirmação de que «os salários em Portugal já sofreram o devido ajustamento e que, como a competitividade das exportações demonstra, e, por outro lado a absorção lenta mas continuada do desemprego também revela, esse ajustamento do fator custo/trabalho já foi feito».

«Nós não acreditamos num modelo de salários baixos», reiterou.