O líder do CDS-PP disse, sexa-feira à noite, que há uma "grande diferença" no país em relação ao tempo da governação socialista, que "trouxe a troika e a consequência", com indicadores claros de que a economia está a melhorar.

"Deixaram-nos cá dentro a troika e o memorando, um Estado em bancarrota. Hoje, a troika já cá não está, sem programa intercalar o FMI será pago na totalidade para poupar os juros aos portugueses. Quando a economia está a melhorar, convém não voltar para trás", declarou.

Paulo Portas falava em Albergaria-a-Velha, num jantar comemorativo dos 40 anos do partido em que deu posse aos dirigentes da JC e em que fez o balanço do que foi conseguido durante a legislatura, socorrendo-se de vários indicadores económicos para vincar o contraste.

"O governo de coligação, chamado a governar na emergência, teve missão difícil, mas podemos constatar o que conseguimos: quem diria há quatro anos que Portugal seria capaz de acabar com o programa da troika, sair sem programa cautelar, e ficar este ano sem défice excessivo, sem ameaças e sanções, e ainda antecipar o pagamento ao FMI porque conquistou credibilidade nos mercados", disse.

O líder do CDS lembrou que em 2011 havia "um terrível problema de défice e de dívida" e o país "foi obrigado a bater à porta dos credores em desespero, para pagar salários e pensões", culpando o PS por trazer o problema e a consequência: um resgate de 78 mil milhões de euros e a vinda da troika.

"Foram anos muito duros. Os que achavam que a dívida pública era um problema do Estado sabem bem hoje, pelos impostos e desemprego, o que custa. Lembro-me de nos quererem associar à Grécia, das taxas de juro de 15%, que hoje são 1,5% a 10 anos, que nos permitem andar de cabeça erguida. Há uma grande diferença, que é proeza da sociedade portuguesa", comentou.

Ilustrou essa diferença com indicadores como o da confiança, atravessando "o momento de melhor confiança desde 2002 dos consumidores e desde 2008 dos empresários, do investimento, que deu sinais fortes em 2014, com 5,2% de crescimento e no primeiro trimestre deste ano foi de 1,4% acima da média da zona euro, das exportações, em que 2014 foi o melhor ano e continuam a crescer, e do turismo, cujos números de março dão conta de que o número turistas aumentou 11% e os proveitos 14%".

Mesmo no que respeita ao desemprego, Paulo Portas mostrou-se confiante de que "é possível criar mais emprego e vencer essa batalha", como o demonstra o distrito de Aveiro, cuja taxa de desemprego é inferior à média nacional e junto à média da zona euro", desde que "se entenda que não são os governos que criam emprego, mas as empresas com investimento".

"Abriram os concursos para o Portugal 2020 e para as primeiras medidas, com 400 milhões de euros disponíveis, foram entregues candidaturas de mil milhões de euros, o que diz que há muitas empresas a tomar decisões de investimento, que nos garante crescimento sustentado e emprego", concluiu.

Durante o jantar, o líder centrista homenageou Girão Pereira, antigo presidente da Câmara de Aveiro e eurodeputado pelo CDS recentemente falecido.