O vice-presidente da bancada do CDS-PP Hélder Amaral defendeu esta terça-feira que a saída de Paulo Portas da presidência do partido deve ser encarada com "serenidade e normalidade" e advertiu que o parlamento não deve ser "palco de disputas".

"Foi uma enorme honra, privilégio e mesmo sorte ser dirigente, militante e deputado sob a liderança do doutor Paulo Portas que é um dos maiores políticos europeus e o melhor líder que o CDS já teve. Quer pelo respeito que lhe tenho, quer pela amizade, penso que devemos respeitar a decisão, que deve ser encarada com normalidade e serenidade", declarou Hélder Amaral, contactado pela agência Lusa.


O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, comunicou na segunda-feira à comissão política nacional que não se recandidatará à liderança do partido, pondo fim no Congresso do próximo ano a 15 anos de presidência centrista.

O deputado defendeu que o anúncio da saída de Paulo Portas da presidência do CDS-PP significa que "o tempo agora é dos militantes do partido que devem estar gratos, mas devem pensar no futuro, com bom senso e serenidade".

"Uma reformulação da estratégia, de lideranças e do que queremos para o país e para o partido, faz-se de forma serena e junto dos militantes. São eles que vão decidir. Até lá, o partido tem mecanismos estatutários para garantir o funcionamento do partido até ao próximo Congresso", disse.


Hélder Amaral considerou ainda que "não é o momento para alterar o funcionamento do grupo parlamentar", defendendo que se Paulo Portas optar por deixar o seu lugar no parlamento ou por não intervir nos debates quinzenais com o primeiro-ministro, deve ser o líder parlamentar a fazê-lo.

"Não sou favorável a que, no momento em que o partido precisa de parar para pensar, que no grupo parlamentar se alterem as regras para transformar os debates quinzenais numa pré-nomeação de candidatos" a líder, afirmou.


Hélder Amaral referia-se a notícias, ainda não confirmadas oficialmente, que dão conta da alegada intenção de Paulo Portas de colocar, em regime de rotatividade, seis deputados a interpelar o primeiro-ministro nos debates quinzenais na Assembleia da República a partir de janeiro.

"Não faz sentido. O partido deve escolher o líder em Congresso, com os militantes. Neste momento em que o partido precisa de pensar que tipo de liderança é que precisa, e que tipo de estratégia é que o país precisa, o parlamento não deve ser um palco de disputa de possíveis líderes, isso seria não respeitar os militantes", defendeu o vice-presidente da bancada centrista.

"Espero que o doutor Paulo Portas até ao próximo Congresso possa exercer o seu mandato como sempre fez. E não vejo que tenha que ser alterado o funcionamento no grupo parlamentar", reforçou.


Questionado sobre qual o perfil de liderança que o CDS-PP deve escolher para o atual ciclo político, o deputado recusou falar em nomes e frisou que quer a estratégia, quer o perfil de liderança são matérias para debate entre os militantes.