Por: Catarina Pereira | 21- 5- 2010 12: 16
A oposição aproveitou a moção de censura apresentada pelo PCP para alargar o debate às novas medidas de austeridade que
foram apresentadas após acordo entre o PS e o PSD e para criticar José Sócrates por mudar de opinião numa semana.
Paulo
Portas lembrou que o primeiro-ministro o chamou de «demagogo, populista e irresponsável» quando, em Fevereiro deste ano, propôs
que os políticos e gestores abdicassem de um mês de salário. À proposta do CDS-PP, que foi chumbada a 5 de Março com os votos
contra do BE, PCP, PS e a abstenção do PSD, seguiu-se o anúncio do corte do salário dos políticos e gestores em cinco por
cento, no Conselho de Ministros de 13 de Maio, pela voz de José Sócrates.
«Então agora é o primeiro-ministro que
é meio demagogo, meio populista e meio irresponsável», ironizou Portas.
Sócrates não gostou do «nim» da direita
O democrata-cristão questionou mesmo Sócrates
sobre «o valor que dá à palavra», criticando o aumento de impostos mesmo antes do Parlamento o discutir. «É o único primeiro-ministro
da Europa que aprova medidas anti-crise sem vir explicá-las ao Parlamento», apontou, perguntando ao governante se se sente
«democraticamente confortável» ao fazer um aumento de impostos «por despacho».
«Há 15 dias, eu fiz-lhe uma pergunta:
se ia trazer um pedido de subida do IVA e o senhor saiu daqui todo satisfeito a dizer que não há IVA que suba. Agora subiu
o IVA e vão subir as taxas do IRS», frisou.
Portas queria que, neste momento, o primeiro-ministro tivesse «a humildade
de reconhecer que não foi capaz de cumprir os seus compromissos».
Sócrates respondeu ao líder do CDS-PP, lembrando
que a «alternativa» ao aumento de impostos era «mexer no Estado Social, no Serviço Nacional de Saúde, na escola pública ou
na Segurança Social», mas, para isso, «o Governo não estava disponível».
«Não podíamos esperar um ano para obter
resultados», frisou.
O «tango» dançado com Passos Coelho
Quem também não gostou do anúncio da entrada
em vigor do aumento de impostos a 1 de Junho, antes da discussão das medidas no Parlamento, foi Francisco Louçã.
O
líder bloquista disse que «PS e PSD acham que basta uma conjugação cósmica entre São Bento e São Caetano», numa alusão às
moradas do Governo e do partido laranja, para os impostos subirem antes da Assembleia da República se pronunciar.
«O
primeiro-ministro chama a isto o círculo da responsabilidade, eu já tinha ouvido isto... suspender a democracia», acrescentou,
referindo-se a palavras de Manuela Ferreira Leite.
Pelo PCP, Honório Novo avisou «que o primeiro-ministro bem pode
dançar o tango para enganar os portugueses». «Mas nós não queremos dançar esta música. A sua música e de Passos Coelho é a
música da recessão, que só interessa aos poderosos», lamentou.
Também Heloísa Apolónia, dos Verdes, considera que
«um Governo que faz tudo ao contrário do que prometeu na campanha eleitoral deve ser censurado».
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