O primeiro-ministro considera que, agora, a discussão sobre a realidade portuguesa já não se centra no crescimento do desemprego, mas na sua redução e no crescimento da economia e que este é "um facto indesmentível". Foi assim que Passos Coelho começou o seu discurso sobre o Estado da Nação, no Parlamento, esta quarta-feira, onde salientou as políticas de "rigor" seguidas pelo Governo, que permitiram "proteger os portugueses", sair com sucesso do programa da Troika e relançar a economia. 

“Há quatro anos o desemprego disparava, agora a taxa de desemprego está muito próxima da de julho de 2011. [...] A discussão agora é quanto é que a economia vai crescer, a redução do desemprego, com que velocidade serão removidas as medidas de urgência. Este é um facto indesmentível da realidade portuguesa.”


No seu último debate da legislatura, o chefe do Executivo destacou a estratégia “de rigor e de credibilidade” seguida pelo Governo que permitiu “proteger os portugueses” e “devolver um horizonte de mais equidade e de maior justiça" ao país. Ainda sobre este ponto, Passos destacou a conclusão do programa da Troika com sucesso, sem recurso a empréstimos ou programas intercalares.

"Foi há mais de um ano que concluímos o programa de assistência, sem recorrer a novos empréstimos ou programas intercalares. Caminharmos pelo nosso próprio pé."

E depois de destacar a evolução da economia, frisando a determinação dos portugueses em "dar a volta às dificuldades", Passos aproveitou para fazer promessas e deixar recados à oposição.

Aos funcionários públicos e aos pensionistas deixou a intenção de o Governo "desfazer" os cortes "por completo nos próximos anos". A necessidade de se criar mais emprego, "mais qualificado e mais bem remunerado", que permita o regresso dos portugueses que tiveram de emigrar, foi outra das preocupações destacadas pelo primeiro-ministro.

À oposição deixou duras críticas e vários recados. Passos Coelho acusou a oposição , e particularmente o Partido Socialista, de não ter acompanhado o Governo na aplicação de "medidas essenciais" que permitiram a recuperação da economia.

 "Tantas vezes aqui no Parlamento, o principal partido da oposição rejeitou medidas importantes."

Mais, assegurou que o Governo PSD/CDS-PP "nunca fará dos portugueses cobaias", fazendo alusão à medida proposta pelo PS que pretende testar a sua alternativa com cortes na TSU.

“É bom não esquecer que foi essa combinação de disciplina nas contas e crescimento económico que agora permite, à beira de eleições, que alguns prometam realizar essas reposições a um ritmo ligeiramente mais rápido.”

Apesar de só ter discursado durante 20 minutos, quando poderia ter usado os 40 minutos permitidos, Passos ainda teve tempo de se referir à Europa e à situação da Grécia, em particular. O chefe do Executivo destacou que este é um momento de "incertezas" e, por isso, é preciso ter "objetivos definidos" e uma abordagem "realista e prudente".

"Precisamos de nos concentrar no essencial e no que verdadeiramente conta, com realismo e com os olhos no futuro."



                             Debate do Estado da Nação 2015 [Lusa]

Em sintonia, esteve o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, que encerrou o debate. "Vencendo o resgate, alcançámos a confiança. Preservando a confiança temos ao alcance da mão uma legislatura bastante diferente. Com recuperação progressiva dos salários públicos, com recuperação sustentada das pensões, com alívio gradual mas firme das sobretaxas, com criação mais acentuada de emprego".
 

"Aconteceu-nos coletivamente ser a geração do resgate. Sofrêmo-lo e vencêmo-lo. Que 2011 tenha sido definitivamente a última vez"


O primeiro-ministro defendeu ainda que é preciso acelerar a criação de um Fundo Monetário Europeu para aprofundar o princípio da responsabilidade comum na zona euro, sem esperar pela próxima crise sistémica.

"Caminhamos para uma solução desse tipo, estou convencido disso. É uma questão de tempo. Um tempo que devemos acelerar, até pelo momento em que vivemos. Não só por causa da situação que se vive na Grécia, mas também porque o conjunto da zona euro vive hoje uma recuperação económica que não conhecia há muito tempo. E é nestes momentos de recuperação que devemos reparar as lacunas institucionais que ainda subsistem. Não devemos aguardar pela próxima crise sistémica para acudir às dificuldades."

 

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