O primeiro-ministro prometeu, esta sexta-feira, que vai confrontar o governo dos Estados Unidos, em fevereiro, com a redução da presença militar na Base das Lajes. Passos Coelho admitiu mesmo «suscitar a revisão» do acordo técnico bilateral.

 

«A Base das Lajes tem representado algo de muito importante no acordo entre os dois países. O impacto desta medida tem um peso muito negativo ao qual os EUA não podem deixar de atender. Não deixaremos, na reunião bilateral, de suscitar, se for preciso, a revisão do acordo técnico que está no centro desse acordo».

 
O primeiro-ministro admitiu que o Governo português «não aprecia a forma como o governo norte-americano lidou com esta situação» e assegurou que já transmitiu isso mesmo à administração de Barack Obama.

Segundo Pedro Passos Coelho, o governo dos EUA tem demonstrado sinais «de abertura» para negociar com Portugal medidas «que possam atenuar este efeito». «Mas, evidentemente, até hoje, o que tivemos foi muito verbo e pouca ação», lamentou.

Passos Coelho respondia a uma questão do deputado Luís Montenegro (PSD), que criticou a «decisão unilateral dos EUA» em relação à Base das Lajes e apelou ao consenso partidário nesta matéria.
 

«É uma questão onde devemos estar todos juntos para evitar as consequências desta decisão», afirmou o líder parlamentar social-democrata.

 
No entanto, mais tarde no debate quinzenal, o PS acusou o Governo de «isolamento atlântico».
 
«Pior desfecho nas Lajes seria difícil de admitir. O Governo foi exposto a uma decisão unilateral e a um tratamento vexatório», atirou Ferro Rodrigues, acusando Passos Coelho de não cumprir os compromissos que assumiu na ilha Terceira.

O primeiro-ministro insistiu então que esta é uma questão que «deve unir todos em Portugal», lamentando que o PS a utilize «como arma de arremesso partidário».
 
«O Governo não deixou, por acaso até com um governo socialista, o dos Açores, de acompanhar a situação desde o início», reforçou Passos Coelho, acrescentando que ambos decidiram constituir uma comissão «para encontrar medidas que, do lado português, entre Administração Central e Administração Regional, possam de alguma maneira atenuar também este impacto e encontrar formas de revitalizar do ponto de vista económico a ilha Terceira».

Ferro Rodrigues respondeu então que «não há nenhuma fuga» no PS e que os socialistas estão «dispostos a ajudar». «Temos contactos diários com o Governo dos Açores», concluiu.

Antes, durante o mesmo debate quinzenal, Passos Coelho prometeu que os futuros compradores da TAP estão obrigados a respeitar os acordos de empresa, rejeitando o cenário de despedimentos.

Confrontado, pelo Bloco de Esquerda, com a hipótese de travar a venda da PT à Altice, Passos Coelho rejeitou por completo este cenário.
 
Durante a intervenção do PS, o primeiro-ministro foi acusado de estar «isolado», mas assegurou que não se preocupa com isso, «desde que seja para defender o interesse nacional».
 
Os partidos da oposição também quiseram responsabilizar o Governo pela situação nas urgências dos hospitais públicos, mas Passos Coelho não acredita que estes problemas sejam um reflexo das suas políticas.

O debate terminou com uma série de votações, das quais se destaca o chumbo da reposição dos feriados.