O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, advertiu esta quarta-feira, durante uma visita ao Luxemburgo na véspera de rumar a Bruxelas para um Conselho Europeu, que Portugal não subscreverá conclusões da União Europeia sobre o «pacote energia» que ignorem a questão das interconexões.

Falando numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo luxemburguês, Passos Coelho indicou que teve oportunidade de transmitir «ao primeiro-ministro (Xavier) Bettel as particulares preocupações que Portugal tem quanto à fixação de objetivos vinculativos relativamente às interconexões sobretudo na área da eletricidade e do gás», considerando «pouco sério» o comportamento da UE nesta matéria.

«O nível de interligação entre Portugal, Espanha e a França, e, portanto, o resto da Europa, é inferior a 2% da capacidade instalada. Portugal e Espanha são uma ilha energética. Ora, nós fizemos esforços muito grandes do ponto de vista estrutural para poder ter uma economia mais competitiva e estamos alinhados com a ideia de ter um mercado interno de energia que possa funcionar plenamente», disse.

Todavia, realçou, as metas estabelecidas em Barcelona em 2002 a nível de interconexões de energia «continuam a não ser atingidas», e, volvidos 12 anos, Portugal e Espanha continuam praticamente «na mesma posição que em 2002» em termos de isolamento.

«Esta não é uma forma séria de encarar o desenvolvimento do mercado interno e, portanto, comuniquei ao primeiro-ministro do Luxemburgo que para Portugal esta questão é uma questão da maior relevância, e Portugal não poderá evidentemente subscrever conclusões que não vão ao encontro desta preocupação que vem já desde praticamente o início do ano 2000», afirmou, perspetivando a cimeira de chefes de Estado e de Governo que decorre em Bruxelas entre quinta e sexta-feira.