O líder do PSD, Passos Coelho, afirmou, no sábado à noite, que é “uma pouca vergonha” o Governo nomear para administrador da TAP “o mesmo homem que andou a negociar a reversão” da privatização da transportadora.

Isto é uma pouca vergonha, não tem outra classificação. E fica tão mal a quem nomeia como a quem aceita”, criticou Passos Coelho, ao discursar durante a convenção autárquica do PSD de Viseu.

Miguel Frasquilho vai ser o novo presidente do Conselho de Administração da TAP, adiantou no sábado o jornal Expresso, que avançou ainda o nome do advogado Lacerda Machado e da líder da Fundação Serralves, Ana Pinho, para vogais.

Diogo Lacerda Machado, amigo do primeiro-ministro, António Costa, integrou as negociações com os acionistas privados para que o Estado voltasse a ter maioria do capital da TAP.

Passos Coelho disse que quem está no Governo não se pode “andar a meter nas eleições autárquicas, a fazer favores aos autarcas amigos e do partido, como acontece com este Governo de forma descarada”.

A nível nacional é a mesma coisa. O mesmo homem que andou a negociar a reversão da TAP parece que vai ser nomeado administrador da TAP pelo Estado. É uma coisa extraordinária. Tudo isto se faz esperando que ninguém diga nada”, lamentou.

O presidente do PSD criticou também o Governo, que “não fez nada até hoje” para resolver o problema das rendas da energia, por vir agora dizer “que vai arranjar 500 milhões para o ano”.

O Expresso noticiou, também, no sábado que o Governo vai exigir 500 milhões à EDP e que o executivo quer reaver dinheiro pago a mais durante dez anos.

Segundo Passos Coelho, “até hoje, só houve um governo que tomou medidas que valeram mais de quatro mil milhões de euros para cortar em rendas de energia, que foi o Governo liderado pelo PSD”, de forma que “o país já está a beneficiar de uma redução do deficit tarifário”, herdado em 2011.

Já está a diminuir, vai desaparecer até 2021 como nós tínhamos previsto. E este Governo, que não mexeu uma palha para isso, conseguiu pôr nos jornais que vai à EDP arranjar maneira de ir buscar 500 milhões que se pagaram a mais. Então cortámos quatro mil milhões, só por conta da EDP devem ter sido uns dois mil milhões, e só vão buscar 500 milhões?”

Passos Coelho frisou que “quem está no Governo sabe que não está a resolver nada, sabe que quer dar a ideia de que quem esteve antes não fez nada, quando foram os únicos que fizeram alguma coisa”.