O público no comício de Vila Real bem pediu, mas ainda não foi desta. O filho da terra discursou perante um largo cheio de apoiantes e militantes e forçou o apelo à maioria absoluta.

Por momentos, Passos Coelho ia embalado, como na arruada de Chaves. Mas a campanha renhida é coisa que se mede a régua e a esquadro e esta, em papel milimétrico, ainda tem um compasso para definir o perímetro da política, centrímetro, a centrímento, alargando o que a coligação acredita que pode agora estar ao alcance do PAF.

"Nao deixaremos de convocar todos os portugueses para que o futuro se decida, se possa fazer realidade, para que os próximos governantes e governos não andem com arranjos de partidos, mas para que possam governar inequívocamente"

Legendas, por favor...? Passos esclarece, "embalado" por sentir que a sua terra de eleição corresponde. E promete, qual aperitivo:


"Amanhã daremos um tiro muito sério de partido para levar Portugal no caminho certo. Para formarmos um governo estável".


A coligação continua em terras que sabem receber bem os partidos de direita e amanhã, sexta-feira, no comício da noite, em Santa Maria da Feira. À TVI24 garantem que o Europarque estará a abarrotar..

A Feira é terreno sólido e talvez para não repetir o que há quatro anos fez no distrito, na volta do PSD que lhe deu a vitória, espera mais um dia. só mais um dia para - presume-se - pedir a tão desejada maioria absoluta. É certo que sem pronunciar as palavras maioria absoluta, os jornalistas atiram a adivinhar se esse é o caminho desta campanha.

É que em 15 dias de campanha não pode haver momentos mornos - para isso bastaram os primeiros 3 dias de campanha: agora a comitiva quer garantir o tal "crescendo", a tal "dinâmica" de vitória.

E o público militante e simpatizante está a par da estratégia e pedia maioria absoluta aqui, numa noite fria de início de outubro, à tarde na a rruada de Chaves, sob um sol aberto, ontem em Arcos de Valdevez, numa manhã fresca. E Paulo Portas, no fim do tal passeio pelo centro da cidade, de onde é natural Assunção Esteves (que marcou presença durante o dia, apesar de já não ser de novo candidata pelo distrito de Bragança), acabou por pôr o ónus nos militantes:

"Se querem essa maioria absoluta, essa estabilidade, que permite criar mais emprego, que trará mais crescimento económico", então têm de falar com os indecisos e convencê-los. Passos já o tinha dito em Mirandela no almoço, e hoje o líder do CDS acrescenta:

"Nao têm de concordar com tudo", mas tem de saber que "este é o melhor caminho". "Voltar atrás é regressar a um passado incerto".


Os discursos têm-se pautado pela ideia de que há um ano, na altura da eleição do líder socialista, António Costa, poucos pensaram ser possível que depois de quatro anos de duras medidas de controlo de despesa do Estado estar tão bem colocado nas sondagens.

Mas quem o diz é o espelho, pensa o candidato do PAF: é que o PS fica "com azia quando os resultados económicos do país são bons"; parece que "só com resultados adversos conseguem ganhar eleições".

O também primeiro-ministro diz que não se constrói "um país próspero" na lógica do "ou estão comigo ou estão contra mim". Ora os indicadores, sublinha, provam que é possível combater as desigualdades, para que as "crianças possam crescer como eu cresci no interior do país": precisamente em Vila Real, depois de deixar Angola em 1974.

5 anos depois já Passos está envolvido numa campanha social-democrata. " Com os meus 15 anos comovia-me pensar que estava ao nosso alcance a democracia moderna". "Achava sobretudo que teríamos pela primeira vez um governo que mudaria a perspetiva do futuro. E para chegar próximo dessa realidade, PSD e CDS uniram-se ao serviço do país".

Memórias na terra que o viu crescer, e que aqui o apoia de forma incondicional. Duas funcionárias públicas, a quem "cortam tudo" garantiam que Vila Real se arrependia de ter dado a maioria absoluta a José Sócrates, altura em que o PSD perdeu o distrito, Mas não era fácil optar por Santana Lopes, não nos merecia "credibilidade". A verdade é que agora não há espaço a "experimentalismos", como já recordou o parceiro da coligação e, por isso, o PAF acredita que a escolha é pelo que é certo, em detrimento do que é "arriscado", do que pode ser um voltar ao passado.

Ao passado, regressou hoje Passos em Chaves, numa arruada tão concorrida como a de 2011. E não por acaso também houve uma arruada em Valepaços, que aproveitou os clientes da feira das colheitas para lá ir ver Passos ao vivo.

Em Chaves, uma das senhoras compara a vez que o cumprimentou há quatro anos, e sai-lhe: "O senhor está velho. Há quatro anos tinha um bela figura". Passos ri-se, mas admite: "é a primeira vez que me chama velho em campanha".