O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmou, neste sábado, estar "preocupado" com o futuro do setor solidário.

Eu estou preocupado com o futuro deste setor solidário porque os partidos que apoiam o Governo dizem declaradamente que o Estado só deve usar estas instituições de uma forma subsidiária ou complementar, o que significa que se prepara para gastar mais dinheiro investindo na criação de equipamentos que façam concorrência a equipamentos que já existem", afirmou o presidente do PSD, em Cabeceiras de Basto, no final de uma manhã dedicada a visitar instituições sociais.

O agora líder da oposição acusou ainda o PS de ter uma postura "arrogante" e "condicionar" o apoio às instituições de solidariedade conforme a "obediência" de quem as dirige.

Passos alertou também para a possibilidade da mudança de "orientação" do atual Governo quanto ao setor social poder criar desemprego explicando que "há precedentes", nomeadamente no apoio à rede pré-escolar.

Segundo o ex-governante, "se existem instituições da sociedade portuguesa que fazem este tipo de trabalho [apoio social] com qualidade e que resolvem problemas que existem e que são graves, a obrigação do Governo é apoiar essas instituições, não é desconfiar delas, não é condicionar o apoio a ter gente obediente nas direções destas associações que ajudem politicamente o Governo".

Para o líder do PSD aquele tipo de condicionalismos tem sido "hábito" do PS no Governo.

Muitas vezes, com maior ou menor felicidade, aparecem declarações de governantes que, de alguma maneira, traduzem uma forma arrogante de estar na política e no Estado", acusou.

Passos alertou igualmente para o desperdício que representa o investimento em serviços já assegurados pelo chamado setor social alertando que "há precedentes" e referiu as consequências do Estado fazer concorrência às instituições daquele setor.

"Muitas destas instituições já tinham equipamento nessa área [apoio à rede pré- escolar] e o Estado resolveu investir em criar equipamentos de modo que muitas destas instituições tiveram que despedir pessoas e fechar", observou.

"Teria saído mais barato ao Estado alargar essa rede, apoiar um pouco mais estas instituições do que estar a obrigar criar desemprego onde havia emprego e a dar mais despesa ao Estado onde essa despesa social tinha sido realizada", explanou.

"Espero que o mesmo não se venha a verificar nos cuidados continuados, no apoio domiciliário, nos cuidados paliativos, seja na área dos lares residenciais em que as instituições tem um papel insubstituível", concluiu.

Instado a comentar a entrevista do governador do Banco de Portugal ao Expresso, o ex-governante afirmou não ser comentador mas reiterou a independência daquela instituição.

"Eu não sou comentador. Reafirmo apenas que o Banco de Portugal é uma entidade de supervisão e é independente e deve prosseguir os seus fins", respondeu.