O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, reiterou confiança no projeto europeu após o referendo no Reino Unido, declarando que se devem evitar "excessos de dramatização", apesar da saída britânica não poder ser desvalorizada.

"Devemos evitar, nesta altura, quer excessos de dramatização quer a pura desvalorização da decisão do referendo britânico", afirmou Pedro Passos Coelho, comentando a vitória da saída do Reino Unido da União Europeia (‘Brexit') no referendo realizado na quinta-feira.

O presidente social-democrata falava em conferência de imprensa na sede do partido, na Lapa, em Lisboa, e, sublinhando a "decisão soberana" dos britânicos, declarou "convicção" nos líderes europeus, e também na liderança britânica, para uma resposta "à altura da decisão hoje tomada".

"Hoje, é importante reafirmar que, como portugueses, estamos convictamente na Europa e no projeto europeu. Ele tem representado para Portugal uma esperança de modernização, progresso e estabilidade e creio que essa é a forma como os portugueses, de modo geral, encaram a nossa pertença europeia", declarou o líder do PSD e antigo primeiro-ministro.

O resultado do referendo "muda profundamente o quadro em que o Reino Unido se relacionará com a UE" no futuro, e vice-versa, mas Portugal deve ter presente a sua aliança com o Reino Unido, porventura "uma das mais velhas do mundo".

Pedro Passos Coelho endereçou também uma "palavra de tranquilidade para todos os portugueses que vivem no Reino Unido", demonstrando confiança no acompanhamento da sua situação por parte do Governo mas também pelas instituições comunitárias, como definem as "próprias regras europeias".

"Não só o Governo tem essa responsabilidade e certamente a exercerá, como as próprias regras europeias preveem o acompanhamento desta situação", assinalou o presidente do PSD.

Passos fala em "prudência"

Questionado sobre de que forma está Portugal financeiramente preparado para enfrentar eventuais perturbações no espaço europeu, Passos defendeu que, enquanto esteve à frente do Governo de coligação com o CDS-PP, procurou "conduzir uma política de prudência".

"Procurei, à frente do Governo de Portugal, conduzir uma política de prudência que pudesse sempre, dentro das nossas possibilidades, proteger Portugal e os portugueses de eventos externos que pudessem ser mais difíceis", vincou, acrescentando "ter em conta" as declarações de hoje do ministro das Finanças, Mário Centeno, que, em entrevista à TSF, feita antes do referendo, asseverou que os cofres públicos estavam preparados para esse cenário.

"Muitas vezes os defeitos que se atribuem a Bruxelas, insuficiências que se atribuem à própria UE, resultam muitas vezes de insuficiências da própria política nacional", advertiu todavia o líder social-democrata, que recomendou ao Governo português e aos demais executivos europeus que "maximizem as suas responsabilidades" e tomem "decisões em política económica e financeira que reforcem a responsabilidade de cada país".

Os britânicos decidiram em referendo que o Reino Unido vai sair da UE, com 51,9% dos votos contra 48,1%.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou já a sua demissão com efeitos em outubro.

Numa primeira reação, os presidentes das instituições europeias (Comissão, Conselho, Parlamento Europeu e da presidência rotativa da UE) defenderam um 'divórcio' o mais rapidamente possível, "por muito doloroso que seja o processo".