O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou na quarta-feira à noite que, ao contrário do que se diz, o problema dos incêndios não se vai resolver com uma reforma florestal que acabe com o eucalipto.

Agora há uma discussão muito grande sobre o eucalipto, querem-nos fazer acreditar que o problema dos incêndios é problema dos eucaliptos e eu, que até não sou particularmente defensor do eucalipto, acho que não faz sentido estar a demonizar o eucalipto porque nós sabemos que uma grande parte do território não tem eucalipto e que o eucalipto é o que menos arde, portanto, o problema não é do eucalipto”, afirmou, durante um jantar-conferência Ideias à Prova, iniciativa da Associação para a promoção da Gastronomia e Vinhos, Produtos Regionais e Biodiversidade (AGAVI), em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto.

O social-democrata referiu que o primeiro-ministro, António Costa, quer consenso para impor reordenamento florestal e travar o eucalipto devido a “um acordo com o partido ecologista Os Verdes”, sem o qual não haveria “geringonça”.

Ele [António Costa] tem um acordo com o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), portanto, não pode ter eucaliptos porque o PEV é contra os eucaliptos e não há geringonça sem PEV, logo acabaram os eucaliptos, é simples, é disto que se trata, o resto são partes gagas”, vincou.

O ex-primeiro-ministro salientou que “grande parte” do território não tem eucalipto, que a “maior parte” da floresta portuguesa não é eucalipto e que o eucalipto é o que arde menos e onde o fogo se apaga com “mais facilidade”.

Pedro Passos Coelho lembrou que o eucalipto “ainda vai dando algum rendimento” aos proprietários dos territórios que “não tem comparação” com outras espécies, pelo que o Estado Português não pode dizer a essas pessoas para investirem em coisas que dão prejuízo.

Há cerca de 400 mil pequenos proprietários cujo rendimento depende disso, ressalvou.

"Nós temos é de fazer um investimento em floresta que remunere a gestão do território, se não remunerar não funciona, o eucalipto remunera, o pinheiro remunera e o carvalho não remunera, logo eu posso gostar de carvalhos, mas se investir em carvalhos vou perder dinheiro”, considerou.

Na sua opinião, é “indispensável” que haja uma atividade económica cuja remuneração sustente o próprio território, sublinhando que o Estado tem de dar incentivos adequados para que essas atividades se possam desenvolver de forma “mais livre e mais harmónica” devendo tratar de modo diferente o que é diferente.

O líder social-democrata recordou que o Governo PSD/CDS-PP, que presidiu, apresentou e aprovou uma reforma para a floresta e, agora, já se está a falar noutra sem se falar nesta.

“Não se avaliou a que foi feita e já se está a pensar preparar outra”, frisou.