O primeiro-ministro defendeu hoje que é «pouco provável» que as agências de ‘rating’ melhorem a notação de Portugal até às eleições, preferindo aguardar pelo ato eleitoral para aferir do prosseguimento do «caminho» de «consolidação orçamental» e «reformas estruturais».

«Não me surpreende, diria que até às eleições que se realizarão na segunda metade do ano, acho até muito pouco provável que alguma agência de notação financeira melhore o ‘rating’ de Portugal», afirmou Pedro Passos Coelho aos jornalistas, quando confrontado com manutenção da nota BB+ («lixo») à dívida portuguesa, pela agência Fitch.

O chefe de Governo falava em Tóquio, no final de uma visita de três dias ao Japão.

«É natural que queiram aguardar pela realização das eleições para saber se este caminho que temos vindo a seguir prosseguirá ou não, em termos de consolidação orçamental, por um lado, e de realização de reformas estruturais importantes para a nossa economia, por outro. Isso nota-se no racional que é muitas vezes apontado nessas notas das agências de ‘rating’», argumentou.

Questionado sobre se os fatores políticos prevaleciam sobre os económicos, respondeu: «Julgo que os fatores políticos aqui são bastante relevantes. São eles que de alguma maneira nos indicam se a recuperação da economia portuguesa se manterá com este perfil que adquiriu nos últimos anos ou não».

«Muitas vezes aparecem visões diferentes que olham quer para o processo de consolidação orçamental, quer para as reformas estruturais, de forma mais desconfiada, renitente. As próprias agências de notação financeira, o Fundo Monetário Internacional vão realçando isso, dizendo que o ímpeto reformista, que não esmoreça, que não ande para trás», argumentou.

Passos Coelho defendeu que as agências de notação e o FMI têm preconizado que «o país prossiga o caminho de abertura económica e que, dado o nível de dívida pública que foi acumulado, que os governos mantenham esta vontade de ter menos défice público, mais excedentes primários, porque isso é essencial para melhorar o perfil de risco da dívida portuguesa».

«Apesar de o Governo estar muito comprometido com essa agenda, ninguém pode jurar que a seguir às eleições isso se vá manter. Mas confio muito que os fundamentos da nossa economia venham a sustentar uma melhoria de ‘rating’, portanto, acho muito natural que, após as eleições, haja uma melhoria que é compatível com o caminho e os resultados que temos vindo a evidenciar», declarou.

Passos Coelho considerou ainda que, «independentemente de quem possa vir a governar, será a exigência dos próprios portugueses que garantirá os resultados no médio e no longo prazo».

O primeiro-ministro tinha afirmado na sexta-feira, perante empresários japoneses, que o país e os portugueses tinham demonstrado «resiliência», assinalando que os «sacrifícios» efetuados não puseram em causa a «paz social».