O primeiro-ministro desafiou terça-feira o PS a esclarecer se quer contas certas ou se continua à procura de desculpas para manter défices e dívida, pedindo aos socialistas para definirem a estratégia orçamental antes das próximas eleições.

Pedro Passos Coelho, enquanto presidente do PSD, discursava, na Alfândega do Porto, no encerramento das quartas Jornadas «Consolidação, Crescimento e Coesão».

O líder social-democrata disse estar apostado em terminar com «a sina» de, de década em década, Portugal ter de pedir um resgaste.

«Sobretudo aqueles que com verosimilhança podem dizer-se e apresentar-se como tendo a ambição de poder vir a governar no futuro, têm de nos dizer se estão de acordo com isto, com contas certas, ou se continuam sempre à procura de desculpas para manter défices e dívida. E se querem contas certas, como é que vão fazer», perguntou, num claro desafio ao PS.

Na opinião do presidente do PSD, as contas certas não são uma «obstinação ideológica» mas sim uma questão de saber se «queremos ser um país desenvolvido ou não».

«Eu acho que nós temos todas as condições para poder ser um país desenvolvido e, para isso, as nossas contas têm que bater certas. Sempre que se trata de tirar conclusões sobre isto, a oposição emigra, tem necessidade de sair da conversa. E é pena. Temos de convidar a oposição a regressar ainda mais depressa a este debate», observou.

Pedro Passos Coelho, que disse esperar «ter com o PS um bom debate no Parlamento acerca da reforma do IRS e da reforma da fiscalidade verde», desafiou os socialistas a revelarem a sua «estratégia orçamental para os próximos quatro anos», desejando que essa resposta surja antes das eleições.

«Seria possível termos um entendimento com o principal partido da oposição nesta matéria? Desejável é, mesmo que depois a política orçamental de cada um possa não ser igual. Mas é preciso saber se estes objetivos se vão manter ou não», enfatizou.

Para o presidente do PSD, o Governo tem alguns motivos para se encontrar de consciência tranquila e, apesar de os resultados serem positivos, não são ainda os ideais, embora confirmem que a estratégia seguida estava correta.

Passos Coelho admitiu que estar «na oposição é sempre muito difícil» - valorizando essa circunstância, uma vez que já esteve nesse lugar - mas considerou, contudo, possível estar na oposição «e saber na mesma colocar o nosso país em primeiro lugar».

Sublinhando a necessidade de apostar na natalidade, num processo de descentralização e de simplificação administrativa, Passos Coelho concluiu o discurso para a plateia social-democrata afirmando que quem fez o caminho dos últimos três anos «de cabeça levantada» e «chegou até aqui, não é agora que se vai amedrontar com o que é preciso fazer».

«Eu creio que, para o país, se torna bem importante discernir quem é que sabe o caminho que precisa de ser trilhado e quem é que está disponível para, até com todas as incompreensões, o poder realizar», enfatizou, considerando que no PSD não tem faltado esclarecimento, projeto nem determinação.