​Depois de interrompido o programa no Marco de Canavezes

 

Entre os manifestantes e os apoiantes da coligação Portugal à Frente a tensão ia crescendo. A espera de 40 minutos também não ajudou. Os grupos juntavam-se perto do coreto e a música do PAF, que saia de uma coluna portátil - e cujo volume foi aumentando - não abafava o barulho que os manifestantes que protestam pela devolução do dinheiro investido nas empresas do Grupo Espírito Santo sabem tão bem fazer.

 

E à chegada, Portas e Passos dão uns passos para o lado e acabam a falar aos apoiantes na escadaria de uma igreja. Rodeados por militantes e simpatizantes, de bandeiras no ar, o primeiro-ministro ignorou os protestos e Portas pediu “respeito”, enquanto a GNR bloqueava a passagem dos clientes do BES, confinados a um canto da praça.

 

Na praça, as imagens são impressivas: apoiantes coloridos, empunham bandeiras azul e laranja, as cores de CDS e PSD, respetivamente. Ao lado, os manifestantes, denominados vulgarmente de “lesados do BES”, envergavam t-shirts pretas e agitavam bandeiras negras.

 

Como o protesto não arredava pé – durante os 40 minutos de espera, o bombo, a gaita, o apito, o megafone, todos em uníssono , nem dava sinais de cansaço, a solução foi mudar de local da acção de campanha para a outra ponta do jardim.

 

 

"O país precisa de estabilidade política", até para que os mais prejudicados pela austeridade "possam agora ser os beneficiários de mais justiça social, crescimento económico, mais emprego".

A seguir, ouviu-se em tom cantado: “Falta uma semana para a vitória, já só falta uma semana para a vitória. Uma semana para a vitória”. Altura de rumar para Penafiel, onde será o comício da noite. E Passos Coelho, debaixo de sol, ainda recebe uns óculos feitos de madeira, na impossibilidade de os apoiantes de Paços de Ferreira, capital do móvel, oferecerem peça de decoração maior. "São bonitos, não são?", perguntou a uma jornalista. E eram.