Passos Coelho faz um balanço positivo dos quatro anos de coligação, mas admite que não foi fácil ultrapassar as divergências. Numa entrevista ao semanário “Sol”, o primeiro-ministro também voltou à polémica em torno da demissão do líder do CDS.
 
Depois de a sua biografia autorizada ter revelado que Portas se demitiu através de um SMS, no momento de maior crise na coligação PSD/CDS-PP, em 2013, o chefe do Executivo voltou a abordar o tema que terá incomodado os centristas, para sublinhar que a versão do livro "corresponde à verdade".
 

“A versão que o livro narra, e que narra em discurso direto feito por mim, corresponde à verdade.”

 
A poucos meses do fim da legislatura, e depois de PSD e CDS já terem acertado coligação para as eleições deste ano, Passos Coelho assumiu que houve divergências dentro do Governo e que não foi fácil ultrapassá-las.
 

“Não tivemos um debate ficcionado ou puramente oportunista dentro do Governo. Houve divergências que foram divergências reais. Elas foram expressas publicamente e soubemos ultrapassá-las. Não foi fácil ultrapassá-las, mas ultrapassamos e acho que isso é o mais importante.”

 
Em relação às próximas eleições, o primeiro-ministro assegurou que só pensa numa vitória e descarta qualquer hipótese de coligação com o PS.
 

“Não me parece que haja no atual contexto nenhuma ideia de que um governo juntando CDS, PSD e PS pudesse sequer funcionar.”

 
O líder do PSD diz que não se importa que o seu partido tenha tido o papel de “mau da fita” ao longo destes quatro anos, mas espera que os portugueses reconheçam os resultados alcançados e que esse reconhecimento se materialize no ato eleitoral
 
Já a propósito do caso BES, o primeiro-ministro aproveitou para elogiar o mandato do Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, agradecendo-lhe pelo trabalho realizado.
 

“Julgo que no caso do BES o país lhe deve o facto dele não ter fingido que não via o que se estava a passar e de ter intervindo de forma a salvaguardar a estabilidade financeira.”