Desde o almoço que os jornalistas andavam com a pergunta na cabeça: afinal é Passistão ou PAFistão? O autarca de Lamego tinha rebatizado o distrito conhecido como Cavaquistão, mas a mudança de nome durou pouco: o parceiro de coligação subiu ao palco e faz novo “rebranding” – mais democrático –, que abarca também o CDS-PP: PAFistão.

Vai Passos Coelho para o palanque e volta o Passistão e o primeiro-ministro até garante que a adesão de Paulo Portas ao epíteto lisonjeiro é prova da “coesão” no PAF. Se as palavras têm sons parecidos – seriam homófonas se, de facto, existissem –, a verdade é que Portas e Passos disseram coisas diferentes; com significados muito diferentes.

Horas depois, já em Viseu, na tradicional arruada ao pé da praça da República, e com uma hora de atraso, os jornalistas quiseram saber: afinal, é Passistão ou PAFistão? “As duas coisas”, diz Passos Coelho. Para primeiro-ministro é Passistão, para o Governo é PAFistão. Não é? É uma boa coligação"... e uma divisão salomónica que assim não deixa Portas de fora.

De fora ficaram pessoas na arruada, se compararmos com outras campanhas no distrito mais laranja do país. Às 18h, estava pouca gente, e a comitiva presente aventava explicações: “As pessoas vão mais cedo para o comício no pavilhão [também em Viseu] para garantirem o lugar. Depois do que aconteceu ontem [em Coimbra]... têm medo de já não ter lugar”. Quando Passos chega às 19h, uma hora depois do previsto, também ele tem uma explicação. “Isso às vezes tem a ver com a hora”, diz, e, claro, com o facto de “há muitos anos que as pessoas já não se juntam em comício ou praças”.

A forma de fazer política mudou, o eleitorado também: antes da arruada, com mais bandeiras do que apoiantes – as que a jota não conseguiu distribuir voltaram a ser guardadas –, Fernando Ruas, antigo autarca de Viseu e eurodeputado, dizia que “o distanciamento com os eleitores” é um “problema geral da política portuguesa, mas já não o que era, isso é notório".

“Aos políticos compete-lhes voltar a seduzir as pessoas”, dizia aos jornalistas, depois de elogiar o batismo “passista” do distrito. “Com Cavaco Silva foram tempos heróicos e agora estamos a voltar a isso”.


Para a história, nada terminar a arruada frente a uma estátua de Sá Carneiro e recordar a Aliança Democrática de 1980. “As pessoas acham que os partidos conseguiram pôr as diferenças de lado [PSD e CDS] e acrescentar estabilidade para que o país possa olhar o futuro com outros olhos e isso também aconteceu com Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, o que nos inspira”.

Antes, no meio da arruada, entre beijinhos e cumprimentos, já teria dito que esta “campanha tem demonstrado apoio além dos partidos; as pessoas vêm-se juntando a nós porque estão a pensar no seu futuro. Espero que isso se reflita no resultado”. Reflete-se, pelo menos, no jantar-comício, que hoje conta com a presença de Rui Rio: no pavilhão multiusos, há um balcão extra com mesas - para não acontecer o mesmo que ontem em Coimbra - e na sala principal não é fácil circular. O cabeça-de-lista e secretário de Estado, António Leitão Amaro, garante mais de quatro mil pessoas e "nem todos puderam entrar":  "Doutor Passos Coelho, bem-vindo ao Passistão"