Está escrito na edição de 13 de Julho do «Povo Livre», o jornal oficial do PSD. A propósito do Conselho Nacional, lê-se no sétimo parágrafo do artigo publicado na página 9 que o presidente do partido e novo primeiro-ministro falou em «desvio colossal». Assim mesmo, sem nada mais escrito no meio das duas palavras, o que até leva o redactor a destacar a expressão em subtítulo.

Sem querer queixar-se da «pesada herança» deixada pelo anterior Governo, Pedro Passos Coelho «não podia deixar de fazer uma observação final sobre o estado das contas públicas portuguesas», escreve o «Povo Livre». As aspas seguintes são usadas pelo próprio jornal: o novo executivo encontrou «um desvio colossal em relação às metas estabelecidas» para as contas públicas, o que causou aos membros do seu executivo «uma surpresa com a dimensão do desvio que encontraram em relação ao que o anterior Governo dizia».

Justificando esta posição, o primeiro-ministro afirmou que os membros do seu Governo conhecem agora «a situação real» deixada pelo PS.



Como se tratou de uma reunião à porta fechada, torna-se difícil comprovar com maior exactidão o que foi efectivamente dito por Passos Coelho. Fica, no entanto, a versão oficial do partido, que desmente as declarações surgidas entretanto.

Recorde-se que no próprio dia da reunião, todos os órgãos de comunicação social avançaram com a expressão «desvio colossal» como tendo sido proferida pelo primeiro-ministro.

Dois dias depois, o ministro das Finanças veio explicar que teriam sido truncadas várias palavras entre «desvio» e «colossal», pelo que essa expressão nunca tinha sido utilizada. Para Vítor Gaspar, «foram detectados desvios e que a consolidação orçamental nos vai exigir um trabalho colossal».

O primeiro-ministro manteve-se sempre à margem da polémica, mas nesta quinta-feira, em Bruxelas, adoptou o mesmo discurso: «Não há buraco colossal nas contas públicas»