O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou este sábado o primeiro-ministro de «mentir conscientemente aos portugueses», reagindo a Passos Coelho, que disse que o s dados do INE sobre o risco de pobreza não refletem a realidade do país.

«O seu primeiro-ministro está a mentir conscientemente aos portugueses», afirmou em Peniche aos jornalistas Jerónimo de Sousa, para quem Passos Coelho «devia conhecer o país em que vive».

«Ainda vem dizer que são ecos do passado», questionou.

O líder comunista recordou que, em 2013, o PCP «denunciou» nos debates mensais da Assembleia da República «o aumento da pobreza em Portugal», atingindo 620 mil portugueses «só nos três anos de presença da troika» em Portugal, concluindo que «a situação não abrandou».

O líder comunista falava no fim das Jornadas Temáticas dos Deputados do PCP no Parlamento Europeu, dedicadas à economia do mar, no distrito de Leiria.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse hoje, em Fátima, distrito de Santarém, que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o risco de pobreza são um «eco» do que o país passou, mas não a situação atual.

«A notícia como eu referi que veio ontem [sexta-feira] divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística é um eco daquilo por que passámos, não é a situação que vivemos hoje, reporta àquilo que foi a circunstância que vivemos, nomeadamente em 2013 que foi, talvez, o ano mais difícil em que o reflexo de medidas muito duras tomadas ao longo do ano de 2012 acabaram por ter por consequência», afirmou Pedro Passos Coelho.

O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afetando já quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento divulgados pelo INE.

Segundo o INE, 19,5% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2013 face aos 18,7% do ano anterior, apesar de ter existido um aumento dos apoios sociais às situações de doença e incapacidade, família ou desemprego.

As pensões de reforma e sobrevivência contribuíram para um decréscimo do risco de pobreza em 21,0 pontos percentuais, sendo que, segundo o INE, sem estas prestações e sem os apoios sociais 47,8% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza em 2013.