O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmou que a Europa está agora mais forte porque em Portugal, tal como na Irlanda e em Espanha, fez-se o que era necessáriopara ultrapassar as dificuldades, numa alusão aos programas de ajustamento e às reformas aplicadas nos últimos anos. Declarações feitas este sábado no aniversário da JSD, em Portimão.

"Aqui, como na Irlanda e como na Espanha fez-se o que foi preciso. A Europa hoje está mais forte porque nós soubemos o caminho que tínhamos de percorrer."


Mais, na véspera do referendo na Grécia, o primeiro-ministro afirmou que não se pode ajudar alguém "quando esse alguém não quer ser ajudado", nem sequer "ajudar-se a si póprio", destacando os exemplos dos países que pediram ajuda, mas que tiveram coragem para aplicar reformas e "fazer tudo" para ultrapassar os problemas.

"Por mais que queiramos ajudar alguém, é muito difícil ultrapassar as dificuldades quando esse alguém não quer ser ajudado e não se quer ajudar a si próprio. Mas estamos cheios de exemplos de povos que pediram ajuda e que souberam fazer tudo para ultrapassar os seus problemas. Foi isso que aconteceu em Portugal"


O chefe do Executivo destacou ainda que os povos têm o direito de escolher os seus governos, mas que a Europa também "pode intervir" e "chamar a atenção dos governos" para as reformas que são necessárias.

"Os povos têm a faculdade de escolher em democracia os seus governos. Todos temos a possibilidade de cometer erros e é importante que ninguém seja castigado para todo o sempre. A Europa pode intervir chamando a atenção dos governos para as reformas que precisam de ter mais ambição, em nome justamente do futuro dos jovens desse país e dos jovens europeus.  Queremos levar mais longe a reforma da Europa."


Passos salientou também que Portugal não teria conseguido ultrapassar a crise sem auxílio externo e que o país ficou mais pobre, sim, mas para agora poder ganhar mais.

"Não se diz a um pobre 'o teu mal é não ter dinheiro'. Não se diz a ninguém que não tem dinheiro que o seu mal é não gastar mais. Todos ficamos mais pobres nestes anos de ajustamento para agora ganhar mais."

 

O desemprego foi outro dos temas abordados. O primeiro-ministro disse que o Governo está “inconformado” por ainda haver um nível de desemprego tão elevado em Portugal, mas salientou os progressos feitos neste âmbito.
 

"Progredimos muito ao nível do desemprego, mas continuamos a ter um desemprego muito elevado. Não estamos satisfeitos com os resultados que alcançamos. Estamos inconformados por ainda haver tanto desemprego em Portugal."

  
Passos considera que o desemprego não desaparece só porque se fala dele e que são necessárias políticas ativas de criação de emprego que passam pelo investimento.
 

"Precisamos de políticas ativas de emprego. Sabemos que o desemprego só se resolve quando a economia está a crescer e a economia só cresce quando há investimento."