A caravana da coligação segue rápida pelo país e esta quinta-feira aterra no distrito antigamente conhecido por... cavaquistão. Viseu é terra social-democrata, e terreno certo para a reta final da campanha que, depois de um dia em Coimbra passado em fábricas e empresas, precisa de rua.

As grandes arruadas em Viseu costumam ter bandeiras do início da década de 90, estimadas e bem guardadas, lembrando as maiorias absolutas de Cavaco Silva, em 91 e 95, quando o então primeiro-ministro somava vitórias retumbantes no distrito.

Batizado de "Cavaquistão" há mais de 20 anos, o distrito pode agora passar a ter novo adjetivo: "Passistão!" - a ideia é do autarca de Lamego, mas o parceiro da coligação faz logo novo "rebranding" do nome, no discurso seguinte: "PAFistão!"

Quando Passos Coelho sobe ao palco insiste no "Passistão" e garante que a adesão de Paulo Portas ao epíteto é símbolo de "coesão" no PAF, uma coligação forjada nas "dificuldades"  dos últimos quatro anos.

Mas não foi isso que o líder do CDS disse: Portas alterou mesmo o nome para PAFistão, o que representaria o PAF e não só o candidato Passos, que passou a manhã acompanhado pelo ministro Mota Soares, sem Portas.
 
E o dia começou precisamente na Santa Casa da Misericórdia, obra social em Resende, com cantigas, aplausos, beijinhos. Senhoras de idade que cantaram ao ouvido de Passos Coelho, crianças que lhe chamaram “Passos Coelhinho” e não fosse uma faixa a destoar na rotunda à saída de Resende parecia que a coligação Portugal à Frente estava no céu azul e laranja.

 

Próxima paragem: Lamego, mas sem tempo para a típica bôla. Aqui não há arruada, guardam-se forças para a da tarde, em Viseu, e o candidato da coligação assiste a uma exibição da Estudantina Académica de Lamego. Duas músicas, muitos saltos e umas pandeiretas mexidas.

O elogio pela prestação vem rápido, mas Passos Coelho espera que a noite de hoje “seja melhor do que a de ontem”. Ou os estudantes não gostam do FC Porto, e da vitória contra o Chelsea, ou algo aconteceu na noite passada: “Ele percebeu pela voz. Estamos roucos. Fomos para os copos, sabe como é...”

É assim mesmo ou “Assim mesmo é que é”, música própria das tunas, que a Estudantina decidiu dedicar a Passos Coelho: “Esta vida são dois dias/Diz o povo e tem razão/E se é tão pouco tempo/Vou gozá-la até mais não/E se encontrar minha amada/Sorridente e cheio de fé/Vou levá-la ao altar/E assim mesmo é que é”.
 

E é mesmo assim, sempre a correr: o candidato nem sai da praça central e já entra no carro para a próxima paragem. Só mais um beijinho, um “força e coragem para o que aí vem”. “Com o vosso apoio conseguiremos”, responde. Há quem lhe pergunte pela “esposa”, e lhe mande um abraço. “Ela tem estado bem, obrigada”.

Num ápice a comitiva está no Hotel de Lamego, com sala cheia, para almoçar e ouvir os discursos da praxe. E é o presidente da câmara da terra garante que "Isto agora é o Passistão, já não é o Cavaquistão".

Cavaco pode não gostar, e Portas também não: na intervenção seguinte não resistiu a alterar o nome: "PAFistão!", mas Passos insiste minutos depois com um sorriso: "Passistão"...

Terá ouvido mal? Não terá percebido que PAFistão era mais democrático para a coligação? Ou terá aproveitado, subtilmente, a deixa para mostrar ao parceiro de coligação que em Viseu, mesmo em coligação, só dá PSD...