O primeiro-ministro considerou que a carta aberta que lhe foi dirigida por 32 figuras públicas «parte de um equívoco», pois Portugal «é, de longe», dos Estados-membros que maior esforço fez para apoiar a Grécia.

Falando no final de um Conselho Europeu informal, que assinalou a estreia do novo primeiro-ministro grego em cimeiras de líderes da União Europeia, Pedro Passos Coelho sublinhou que Portugal até é o país da UE que, em termos proporcionais ao PIB, maior esforço de solidariedade fez.

Por isso, disse, a carta aberta divulgada esta quinta-feira «parte de um equivoco que é o de assumir que Portugal tem um preconceito (...) ou antipatia pelo Governo grego, mas não é isso que está em causa».

«Nós, de resto, temos sido o país mais solidário, em termos relativos, no esforço que fazemos, somos seguramente o país na Europa que mais esforço temos feito (...). Julgo que é importante que os portugueses também tenham noção disso».


Ressalvando que não quer «alimentar qualquer sentimento de desigualdade», o primeiro-ministro lembrou que a Grécia teve «soluções únicas e excecionais que outros países não tiveram», desde o início da crise.

«Mas aqueles que também fizeram um esforço muito grande, sabem que não tiveram condições tão facilitadas, digamos assim, como a Grécia teve, e isso hoje também sai do bolso desses cidadãos, quer dos cidadãos portugueses, quer dos cidadãos irlandeses. Fazemo-lo com gosto, porque estamos a ser solidários com um país da zona euro e da UE».


Passos Coelho explicou ainda que os chefes de Estado e de Governo tiveram oportunidade de ouvir uma exposição de Tsipras sobre a situação grega, assim como do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, tendo decidido não haver lugar a qualquer discussão entre os 28 pois, pois, «sendo essa uma matéria que está a ser analisada do ponto de vista técnico, não faria sentido estar a discutir sem ter uma base de discussão», que disse esperar ser possível alcançar no próximo Eurogrupo, na próxima segunda-feira.