Por: Redacção | 6- 2- 2012 21: 47
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apelou esta segunda-feira aos portugueses para serem «mais exigentes», «menos
complacentes» e «menos piegas», porque só assim será possível ganhar credibilidade e criar condições para superar a crise.
«Temos
de ser ambiciosos e exigentes com o ensino, com a investigação e o saber, com as empresas», afirmou Passos Coelho, citado
pela Lusa, durante uma intervenção na cerimónia do 40.º aniversário das escolas do grupo Pedago, que tem sede em Odivelas,
e em cujo Instituto de Ciências Educativas deu aulas.
Para Passos Coelho, «hoje, mais do que nunca», é preciso «enfatizar
a relevância» de os portugueses serem «totalmente exigentes e nada complacentes com a facilidade», apelando à «transformação
de velhas estruturas e velhos comportamentos muito preguiçosos ou, às vezes, demasiado autocentrados», por outros «descomplexados,
mais abertos, mais competitivos».
A este propósito, deu como exemplo da «diferença» entre uma atitude ambiciosa e
exigente e outra «agarrada ao passado» o debate em torno da tolerância de ponto no Carnaval, considerando que há quem prefira
continuar a «lamentar-se com as medidas, com os feriados, com o Carnaval» em vez de lançar «mãos à obra».
Passos
Coelho lembrou que o país vive uma situação de «emergência nacional» e como foi «caricato» aquilo que aconteceu no ano passado,
quando a troika estava em Portugal para negociar a assistência financeira: «Quem emprestava dinheiro trabalhava enquanto o
país aproveitava os feriados e as pontes».
É essa «primeira imagem negativa» que o primeiro-ministro diz tentar afastar
diariamente.
«Se queremos que nos olhem com respeito temos de nos olhar com respeito», insistiu, criticando ainda
discursos que consideram que há «demasiada austeridade», que as medidas adoptadas para corrigir os défices do país são «muito
difíceis» e, portanto, é melhor «andar para trás» e voltar «a gastar o dinheiro» que o país não tem, até porque «o FMI e a
UE hão de emprestar mais dinheiro, que remédio», já que Portugal faz parte da zona euro.
«Devemos persistir, ser
exigentes, não sermos piegas e ter pena dos alunos, coitadinhos, que sofrem tanto para aprender», ilustrou, considerando que
só com «persistência», «exigência» e «intransigência» o país terá «credibilidade».
O primeiro-ministro considerou
ainda que esta atitude de exigência deve começar na escola mas estender-se a todos os níveis da sociedade e deu como exemplo
as empresas.
Para Passos Coelho, não se deve consumir «o que é português só porque é português»: «Temos de incutir
em quem produz exigência e qualidade. Sabemos produzir com qualidade e devemos premiar aqueles que o fazem», afirmou.
O
primeiro-ministro pegou ainda no exemplo da escola e do ensino para defender que «se criou a falácia» de que as grandes reformas
levam anos a produzir efeitos.
«Não é verdade. Em cada aula que se dá, tudo pode mudar. As pessoas ajustam-se rapidamente
à mudança. Mas tem de haver uma mudança. Agora se se arranjam sempre desculpas e explicações para os maus resultados...»,
afirmou.
«Os agentes ajustam-se muito rapidamente e antecipam os resultados quando há credibilidade», acrescentou.
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