O secretário-geral do PS afirmou hoje que Governo e troika estão do mesmo lado, insistindo nos cortes, numa intervenção em que defendeu um meta orçamental para 2014 que permita poupar as reformas e aliviar os sacrifícios.

«É preciso alguém que defenda o interesse nacional», disse Seguro, antes de traçar linhas de demarcação face ao Governo e à troika, por um lado, e em relação à restante oposição de esquerda por outro lado.

«Já sabemos que a troika e o Governo estão do mesmo lado. Depois, há outro lado ainda, que não tem qualquer outra atitude que não seja a do protesto, mas nós temos uma atitude responsável, desde o início», contrapôs.

Neste contexto, o secretário-geral do PS referiu-se a algumas das propostas que o seu partido apresentou na reunião com a troika no âmbito das oitava e nova avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal.

«Uma das nossas propostas que hoje apresentámos é muito simples: Rever as metas orçamentais de modo que para o ano haja um alívio dos sacrifícios dos portugueses. Isto é, que não existam mais cortes, nem na educação, nem na saúde, nem nas pensões e reformas dos portugueses» declarou.

No entanto, o líder socialista deixou a entender que há resistências a essa proposta a favor de uma maior flexibilidade das metas orçamentais.

Já o PCP afirmou, depois da reunião com a troika, que os credores internacionais insistem em «continuar o rumo da austeridade» e consideram que «os trabalhadores portugueses não são competitivos e por isso é que estão desempregados».

«Os elementos [da troika] que falaram deixaram bem claro que, mesmo que existisse uma alteração na economia (...), é preciso perseverar, é preciso continuar o rumo de austeridade», afirmou Miguel Tiago aos jornalistas à margem do encontro.

Por sua vez, o BE acusou os elementos da troika de serem «absolutamente insensíveis» à realidade dos portugueses e de manifestarem uma «inflexibilidade total», considerando que devem «assumir a responsabilidade» de o país estar «mais perto de um segundo resgate».

Luís Fazenda afirmou aos jornalistas à margem da reunião, que os membros da troika «não se pronunciaram praticamente sobre nada», o que significa que «vão manter exatamente a mesma linha de rumo».

Destacando que o défice vai ficar «muito acima do previsto» este ano e no próximo e a «crueldade social» que tem sido imposta aos portugueses, Luís Fazenda afirmou que os credores internacionais de Portugal são «absolutamente insensíveis a essa mesma realidade».

Por último, o CDS-PP desafiou o FMI a «passar das palavras aos atos», não tendo tido resposta por parte da troika à flexibilização da meta do défice e sublinhando que «as negociações estão a ser muito difíceis».

«Saí com a sensação de que serão seguramente negociações muito, muito difíceis», afirmou a deputada centrista Cecília Meireles.

Questionada sobre a resposta que as propostas do CDS-PP, nomeadamente a flexibilização das metas do défice, tiveram por parte dos representantes da missão externa, a deputada disse: «Para muitas questões nesta reunião não houve resposta, eu creio que as negociações estarão a ser difíceis».

Cecília Meireles desafiou o FMI a «passar das palavras aos atos», dado que, afirmou, a instituição defendeu num documento que a «velocidade» com que é feito o ajustamento não é «indiferente» ao êxito do ajustamento.

«Percebi que a troika valoriza o crescimento da economia, temos sinais até, o ¿paper¿ que foi conhecido, do FMI, e que fala da importância da velocidade e do ritmo [do ajustamento], uma coisa que o CDS falou muito na sétima avaliação», disse.

«Creio que o importante agora é passarmos das palavras aos atos», repetiu.