Por: Redacção / Tânia Gonçalves | 6- 8- 2009 18: 20
O «Nulo Absoluto»(ø) é o símbolo utilizado pelo novo movimento que pretende chamar a atenção do eleitor para um direito
de todos, o do voto nulo. Manuel João Ramos, que até há dois meses era vereador da Câmara de Lisboa, é um dos promotores do
movimento.
«Partido Nulo - Porque não escolher um candidato
é uma opção», é assim que um novo movimento surge para despertar as consciências, daqueles que só se sabem queixar
do estado da política em Portugal e quando chega a altura de votar, preferem não o fazer.
Veja as fotos e envie a sua sugestão para o nosso e-mail.
«Hoje
em dia, os discursos socialistas e sociais-democratas são discursos mortos», disse Manuel Ramos ao tvi24.pt.
Neste
sentido, o ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa, com base na sua experiência política, cria agora um movimento a favor
do voto nulo, cuja apresentação pública e início de campanha está prevista para o início de Setembro.
Partido
Nulo é um movimento
Chama-se Partido, mas não se assume como tal, mas sim como um movimento, no sentido em que
não irá aparecer no boletim de voto, aquando das eleições que se aproximam.
Manuel Ramos, também membro da Associação
de Cidadãos Auto-Mobilizados, considera importantíssimo que as pessoas se «auto-mobilizem», que mostrem o descontentamento
com a política que se faz, agindo e não apenas lamentando. O voto nulo funciona como um «voto de protesto», explicou ao tvi24.pt,
e como uma forma de «responsabilização dos partidos».
«A abstenção não altera a proporcionalidade» e serve apenas
como uma forma de «legitimar as propostas» que são apresentadas pelos partidos. Pelo contrário, um voto nulo lança a «desconfiança
em relação ao sistema funcionar ou não», disse Manuel Ramos.
«Apelamos ao voto nulo porque recusar os maus candidatos
que se apresentam a eleições é um direito legítimo», pode ler-se no site do movimento. «Entre PS e PSD não vejo grandes diferenças»,
adiantou o ex-vereador ao tvi24.pt, considerando que cada vez mais «este jogo de interesses se sobrepõe aos interesses
dos cidadãos».
Manuel Ramos frisa que «não se pode baixar os braços, porque delegar nos outros a responsabilidade
de algo é muito mau», considerou.
A criatividade não tem limites
«É possível ser-se minimalista (basta
estender uma perna da cruz para fora de um quadrado), figurativo, abstraccionista, poético, militante, e também insultuoso,
surrealista, absurdo, fantasista. Através do voto nulo, expressamos a nossa individualidade e o nosso contributo colectivo
para a recriação da vida política», lê-se no site.
O impulsionador do movimento deixa mesmo a sugestão ao eleitor
para «deixar a criatividade pessoal» falar mais alto no momento em que estiver a votar. «Um desenho ou um poema por exemplo»,
enumerou Manuel Ramos.
O movimento não discrimina adeptos, «qualquer outro partido pode ser apoiante», explicou.
«Junte-se
a nós (ou não), vote conscientemente (ou não), vote nulo! Divirta-se no dia das eleições».
E você? Que desenho faria
no boletim de voto?
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