Os partidos com assento parlamentar assinaram um projeto de resolução conjunto, que deu esta terça-feira entrada no parlamento, para avançar com o processo de trasladação da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen para o Panteão Nacional.

O documento, assinado por 11 deputados, de todas as forças políticas representadas, propõe a constituição de um grupo de trabalho para «determinar a data, definir e orientar o programa da trasladação» para o Panteão Nacional, em articulação com outras entidades públicas.

A intenção é homenagear «a escritora universal, a mulher digna, a cidadã corajosa, a portuguesa insigne» e evocar «o seu exemplo de fidelidade aos valores da liberdade e da justiça», lê-se no projeto de resolução.

A decisão da Assembleia da República acontece, refere o documento, no ano em que se assinalam «os dez anos da morte de Sophia de Mello Breyner Andresen e se celebram os quarenta anos do 25 de Abril».

A votação do projeto de resolução deverá ser agendada na próxima conferência de líderes do parlamento, marcada para quarta-feira.

No início de janeiro, a rádio TSF noticiava que existia um acordo entre todos os partidos do parlamento para a trasladação do corpo da escritora para o Panteão Nacional, numa altura em que se falava da atribuição das mesmas honras ao antigo futebolista Eusébio.

Nessa altura, Maria Andresen, uma das filhas da escritora, afirmou à Lusa que a trasladação da poeta para o Panteão constitui «uma homenagem importante».

Maria Andresen disse que a homenagem seria particularmente importante acontecer no dia 25 de Abril, quando a revolução de 1974 cumpre 40 anos: «Ela esteve sempre ao lado das pessoas exploradas e das lutas pelos direitos humanos. Numa altura destas, em que se sacrifica tanto as pessoas, é importante evocá-la».

Nascida no Porto, Sophia de Mello Breyner Andresen, de origem dinamarquesa pelo lado paterno, foi a segunda mulher a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.

A escritora foi cofundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, durante a ditadura, e, após o 25 de Abril, foi eleita deputada à Assembleia Constituinte.

A efeméride dos dez anos da morte e a ideia da trasladação foi abordada num texto de opinião, publicado em dezembro do ano passado, no jornal Público, da autoria de José Manuel dos Santos, diretor cultural da Fundação EDP.

No projeto de resolução, os deputados escreveram ainda: Para a escritora, «a intervenção política fez-se sempre por imperativos morais e poéticos». «Até ao fim, a sua voz disse as palavras da sua vida: liberdade, justiça, beleza, poesia, dignidade, esperança».