O PCP pediu esta quinta-feira a audição dos conselhos de administração da CP Carga e da EMEF, assim como das organizações representativas dos trabalhadores, sobre a situação das duas empresas.

Num requerimento assinado pelo deputado Bruno Dias, o grupo parlamentar do PCP solicita que seja definida uma ronda suplementar de intervenções, para discussão desta matéria, na audição agendada para 04 de fevereiro, com o ministro e secretário de Estado da tutela.

A iniciativa, aponta o requerimento, vem no seguimento de declarações do secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, a um órgão de comunicação social, dizendo que «o Governo está a negociar com a Comissão Europeia o futuro da CP Carga e da EMEF, estando em cima da mesa a questão de optar por uma de duas "alternativas": destas empresas serem liquidadas ou privatizadas».

«Estamos perante uma afirmação, por parte de um governante responsável pela tutela, de uma enorme gravidade, que não só suscita total indignação e perplexidade como exige que a Assembleia da República promova o cabal apuramento das circunstâncias deste processo e da situação concreta destas empresas», explica o PCP.

Para os comunistas, as empresas, «com mais de dois mil trabalhadores, correspondem a áreas de intervenção da ferrovia nacional que assumem um caráter verdadeiramente estratégico e decisivo, cuja privatização/liquidação significaria a pura e simples submissão do sector aos ditames dos grupos económicos».

«O que a realidade vem demonstrando é a confirmação dos alertas do PCP ao longo dos anos: de que a segmentação da CP seria, como foi, instrumental para a política de desmantelamento do caminho-de-ferro que vem sendo seguida há décadas em Portugal. E que aquilo que se impõe hoje, de forma cada vez mais urgente e incontornável, é a opção de retomar a gestão integrada da ferrovia», resume o grupo parlamentar comunista.