O grupo parlamentar comunista acusou o Governo da maioria PSD/CDS-PP de ser um «talhante que corta a eito» para «fechar o país» em termos de serviços públicos, enquanto sociais-democratas e democratas-cristãos demonstraram confiança na reforma do Estado.

«Encerrar não é modernizar, destruir serviços públicos não é governar. Mais parece um talhante que corta a eito do que um governante. O objetivo é reconfigurar o Estado para encher os bolsos a alguns empresários à custa de milhares de trabalhadores da administração pública», declarou o deputado do PCP Jorge Machado, secundado por António Filipe, para quem «o Governo está apostado em fechar o país e deitar fora a chave».

Em debate na Assembleia da República, esta quarta-feira, estava o projeto de lei comunista contra o encerramento de escolas, hospitais, tribunais e repartições das Finanças, contrariado pelos deputados de PSD e CDS-PP, que louvaram as ações do executivo de Passos Coelho e de Paulo Portas em diversas áreas e apontaram o dedo a Governos socialistas «sem coragem».

«Em abril de 2011, era ministro de Estado e das Finanças Teixeira dos Santos e disse que, dali a três meses, Portugal não teria dinheiro para pagar pensões, salários e os serviços públicos. A governação Sócrates colocou em causa o funcionamento de todos os serviços. O PCP tem duas caras, uma aqui, de irresponsabilidade de quem não tem que governar e outra lá fora, quando está nos executivos das autarquias. O PS quando é oposição diz alhos, quando é Governo faz bugalhos», afirmou o social-democrata Hugo Soares.

O presidente da bancada centrista, Nuno Magalhães, classificou a iniciativa do PCP de «ilegal» e «alarmista» e lembrou que o primeiro memorando de entendimento com a troika, assinado pelo então primeiro-ministro socialista Sócrates «previa encerrar 40% das repartições (das Finanças)».

«Felizmente, o Governo português bateu o pé à troika e disse que não fazia aquilo com que o PS se comprometeu», disse, criticando o PCP pela «atitude irresponsável» quando, «no poder local, já não tem a mesma postura».

O vice-presidente do grupo parlamentar socialista José Junqueiro defendeu que as alegadas «reformas não existem verdadeiramente».

«É bom reformar, não é bom cortar», afiançou, prevendo que quanto a tribunais e repartições das Finanças o Governo irá «fazer como na saúde», uma «reforma feita a régua e esquadro», com o «ministro agora em movimento de recuo».

Para o líder parlamentar comunista, João Oliveira, «não há na Assembleia da República nenhum deputado que consiga justificar o encerramento de serviços com argumentos de desenvolvimento e progresso do país».

«Como é que o país fica melhor? Não conseguem responder ao argumento de que esses desmantelamentos apenas fazem negócio para os grandes grupos económicos. Essas medidas são contra a Constituição e qualquer perspetiva de progresso», garantiu.