Notícia atualizada às 15:47

O luxemburguês Jean-Claude Juncker foi eleito presidente da Comissão Europeia esta terça-feira, sucedendo ao português Durão Barroso.

A eleição no Parlamento Europeu foi feita com 422 votos a favor, 250 contra e 47 abstenções. O luxemburguês recebeu o voto favorável da grande maioria dos eurodeputados portugueses, exceção feita a PCP e Bloco de Esquerda.

No Parlamento Europeu, esta manhã, Juncker reconheceu que Bruxelas cometeu erros durante a crise, defendeu um salário mínimo para todos os países da UE. Referindo-se em concreto aos programas de resgate, defendeu que, no médio prazo, deveria substituir-se a troika (Comissão, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) «por uma estrutura democraticamente mais legítima».

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Juncker, 59 anos, foi o candidato à Comissão apresentado nas eleições europeias de maio passado pelo Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, e irá assim suceder, no final de outubro, a José Manuel Durão Barroso, que liderou o executivo comunitário ao longo dos últimos 10 anos (2004-2014).

Jean-Claude Juncker é dos políticos com mais experiência na União Europeia, tendo dirigido durante oito anos o Eurogrupo.

O antigo primeiro-ministro luxemburguês conhece como poucos os corredores de Bruxelas, dada a sua longa carreira política: foi chefe de Governo do Grão-Ducado (e, como tal, membro do Conselho Europeu) entre 1995 e 2003 - tendo presidido ao Conselho, no quadro das lideranças rotativas semestrais, por duas vezes, em 1997 e em 2005 -, foi também titular da pasta das Finanças durante duas décadas (de 1989 a 2009), sendo presidente do fórum de ministros das Finanças da zona euro, o Eurogrupo, entre 2005 e 2013.

Esta vasta experiência é considerada uma mais-valia por uns, mas também um problema por outros, tendo sido um dos principais argumentos utilizados pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, para justificar a sua forte oposição à escolha de Juncker, que classificou como um político «do passado», «dos anos 80», e, como tal, sem capacidade para conduzir as reformas que Londres considera vitais para a União Europeia.

Apesar da sua campanha, na tentativa de criar uma força de bloqueio que vetasse o nome de Juncker - visto no Reino Unido como demasiado federalista -, Cameron viu-se, no entanto, isolado (recebeu apenas o apoio da Hungria no voto contra o luxemburguês), tendo os líderes europeus decidido indigitar o antigo chefe de governo luxemburguês, que hoje também recebeu o voto favorável da maioria do novo Parlamento Europeu na segunda sessão plenária de julho, em Estrasburgo, França.

Jean-Claude Juncker será o terceiro luxemburguês a presidir à Comissão Europeia, depois de Gaston Thorn (de 1981 a 1985) e de Jacques Santer (1995-1999), tendo este último sido forçado a demitir-se com todo o seu colégio de comissários na sequência de um escândalo relacionado com alegados casos de corrupção e má administração envolvendo alguns dos comissários do seu executivo.

O luxemburguês será assim o 12.º presidente da Comissão e sucederá a José Manuel Durão Barroso, que ocupou o cargo entre 2004 e 2014, e passa a partilhar o recorde de longevidade à frente dos destinos do executivo comunitário com o «histórico» francês Jacques Delors (presidente entre 1985 e 1995).