O discurso começa com um aviso: “Alertamos para provocações de última hora, casos de última hora, desespero de última hora, mas nós não desistimos de tentar convencer aqueles que decidem à última hora”, diz Paulo Portas, no comício desta noite em Coimbra.

A insinuação ia para a notícia sobre as contas do BPN, que marcou o dia da coligação pelo distrito, e já Passos Coelho tinha dito que “é natural e normal que à medida que a campanha vai avançado possam aparecer coisas eventualmente incómodas, nomeadamente para o Governo".

Na intervenção, Portas resolve a questão rapidamente para apontar no sentido do “despesero” do principal partido da
oposição e depois no “radicalismo” esquerda que, junta, quer “derrubar o governo, deixar o país sem orçamento, sem confiança, sem credibilidade”.

Aos caos, Portas responde com um provérbio: “Para grandes males grandes remédios – o povo só fica a salvo deste aventureirismo dando à coligação uma maioria estável e tranquila”.

Os pedidos de maioria repetem-se ao longos dos últimos dias, com as sondagens a animarem a comitiva da coligação, que acredita que “os eleitores indecisos aguardam a definição de quem será o vencedor, ou de quem tende a ficar à frente, e a partir daí, normalmente, a maioria juntar-se-á aos que vão ganhar por patriotismo para garantir a governabilidade do país”.

“Nestes últimos dias, a confiança vai gerar mais confiança. E o desespero vai gerar mais desespero”, diz em jeito de conclusão, não sem antes pedir para que cada um dos mais de 2 mil apoiantes presente no pavilhão de Coimbra “fale com algumas pessoas até domingo e saibam ouvir os reparos”, as críticas.

Como as de Marques Mendes, que antecedeu o líder do CDS e cujo discurso Portas elogiou: “Tem ainda mais valor por ter feito reparos no passado”.