O secretário-geral do PS, António José Seguro, saudou a «aposta na indústria» europeia prometida hoje por Jean-Claude Juncker, manifestando expetativa que o novo presidente da Comissão Europeia passe agora «aos atos».

Num comentário à eleição do luxemburguês, que hoje foi confirmado como sucessor de Durão Barroso em sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Seguro manifestou ainda o desejo de ver no elenco do próximo executivo comunitário «um português ou uma portuguesa que tenha um pelouro que seja útil para defender os interesses» do país e da Europa.

«Fiquei satisfeito que ele [Juncker] tenha referido na sua declaração que vai apostar na indústria. Considero que a indústria deve ser o motor da nossa economia, quer a ligada aos setores tradicionais, quer a ligada à era do digital», declarou, acrescentando: «Mas é preciso que o presidente da Comissão não fique apenas pelas palavras e passe aos atos. E que haja recursos para ajudar países como Portugal que querem apostar na indústria».

O luxemburguês Jean-Claude Juncker recebeu hoje em Estrasburgo o voto favorável de 422 eurodeputados na eleição para a Comissão Europeia, superando o apoio recolhido por Durão Barroso na assembleia em 2004 e 2009.

Hoje, numa eleição por voto secreto, Juncker, que pertence à mesma família política de José Manuel Durão Barroso, o Partido Popular Europeu (PPE), teve 422 votos a favor, 250 contra e 47 abstenções, quando necessitava de 376 votos favoráveis para alcançar a maioria qualificada.

Juncker, 59 anos, foi o candidato apresentado pelo PPE para as eleições europeias de maio passado, as primeiras nas quais, à luz do Tratado de Lisboa, as grandes famílias políticas apresentaram os seus próprios candidatos ao cargo de presidente do executivo comunitário.

O mandato de Jean-Claude Juncker começa a 01 de novembro próximo e terá a duração de cinco anos.

A próxima tarefa do político luxemburguês é solicitar formalmente aos chefes de Estado e de governo da UE que indiquem os candidatos a comissários, de modo a formar o seu colégio.

Juncker sucederá então dentro de três meses e meio a José Manuel Durão Barroso, o primeiro português presidente da Comissão, cargo que ocupou durante 10 anos, um recorde de longevidade apenas igualado pelo francês Jacques Delors (1985-1995).