O PS considerou hoje que a sua recomendação de «prudência» sobre a solução a aplicar em Portugal no final do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) foi «bem acolhida» pelos representantes da troika.

A posição foi assumida pelo dirigente socialista Óscar Gaspar no final da reunião do PS com a delegação da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) que durou cerca de 70 minutos e que se realizou no âmbito da 11.ª avaliação ao programa de assistência.

«Neste momento recomenda-se prudência. Essa ideia foi bem acolhida na reunião de hoje», declarou Óscar Gaspar em conferência de imprensa, no final de uma reunião em que esteve presente o secretário-geral do PS, António José Seguro.

O responsável pelos assuntos financeiros do PS, no que respeita à controvérsia em torno da necessidade de Portugal recorrer a partir do segundo semestre deste ano a um programa cautelar ou ter em contrapartida uma saída limpa sem condicionalidade, considerou que «no momento atual seria imprudente dizer que a saída é A ou B».



«Isto não é uma questão de preferência deste ou daquele político, do partido A ou do partido B. Estamos a falar da posição do país - e essa situação, de facto, só se colocará mais tarde, mais próximo do final do programa de assistência, em princípio entre abril e maio», advertiu Óscar Gaspar.



Já sobre se Portugal tem condições para sustentar taxas de juro a dez anos na ordem dos 4,8 por cento, como atualmente, o dirigente do PS citou o mais recente relatório do FMI para referir que os testes à sustentabilidade da dívida pública apresentam taxas na ordem dos 3,4, ou 3,5».



«As taxas atualmente praticadas, na ordem dos 4,87, são bastante superiores às taxas que as próprias organizações internacionais testam a sustentabilidade da dívida», apontou.



Na perspetiva de Óscar Gaspar, se Portugal sair do atual programa «sem condicionalidade e com acesso pleno aos mercados - ou seja, com acesso a uma taxa de juro sustentável -, isso significará que o processo de ajustamento decorreu nesse aspeto em concreto de acordo com o que estava previsto».



«Mas isso não apaga nem ilude termos menos 300 mil postos de trabalho, uma taxa de desemprego na ordem dos 15 por cento e de mantermos as maiores dúvidas sobre ganhos de competitividade da economia portuguesa. Pode até acontecer que a meta [da sustentabilidade das taxas de juro] seja cumprida, mas o impacto social e económico para se atingir aquela meta nunca se conseguirá iludir», frisou.

Durante a reunião com os representantes da troika, Óscar Gaspar referiu que também foi abordado o tema da necessidade de consenso político em Portugal, ponto em que deixou críticas ao PSD.



«Quem fala muito de consenso parece depois ter muita dificuldade em tornar prático esse consenso, porque fica-se pelas palavras e não diz o que é. Na reunião, falou-se da necessidade de os mercados financeiros verem Portugal como um país sem grandes turbulências políticas a prazo. Tendo em conta as maturidades da dívida pública, tendo em conta o «stock» da dívida, necessariamente é um processo que vai continuar», começou por observar.