A antiga ministra das Finanças e presidente do PSD defendeu a posição do seu sucessor e atual presidente do partido sobre a ideia de tributar as mais-valias no setor imobiliário, quando esteja em jogo situações de especulação imobiliária.

A primeira coisa que se devia fazer era definir o que é especulação e isso ainda não está bem dito. Mas direi sempre que é criar condições com que as coisas valhma mais do que o seu valor", expôs Manuela Ferreira Leite no seu semanal comentário na TVI24, acrescentando que "quando se fala em combater uma hipotética especulação, temos todos que lhe dar atenção. Quem é que acha que um mercado com uma componente social importante pode ser alvo da especulação?".

Para Manuela Ferreira Leite, a proposta do Bloco e a "Rui Rio tem razão e não é por ter sido o Bloco que não é tema”. Até porque, a seu ver, "o Bloco quer uma taxa em cima de muitos impostos e o  PSD quer ações que incidam na prática especulativa".

Está em causa saber devemos tomar medidas para combater a especulação e o facto do Rui Rio dizer que o tema merecia atenção, acho que ele tem razão. Todos os partidos deviam ter arrebitado e juntar-se para combater essa especulação", afirmou Ferreira Leite.

Manuela Ferreira Leite criticou ainda a posição do CDS-PP, ao dizer que havia uma “taxa Robles versão Rio”.

É realmente uma atitude que não tem sentido do ponto de vista da discussão, porque é evidente que todos querem baixar impostos. O que é preciso saber é onde se aumenta e quanto se aumenta, onde se baixa e quanto se baixa”, disse a antiga ministra.

A antiga ministra alertou, contudo, que defende que "um sistema fiscal não deve ser mexido aos bocadinhos", sob pena de se tornar uma "amálgama incoerente que fica sem efeitos".

Fico à espera que essa proposta que venha a surgir seja debatida na Assembleia e que não traga incoerências e injustiças no sistema fiscal", afirmou.

"Expetativa aguçada"

No comentário semanal, a antiga ministra das Finanças assumiu ainda estar "com uma expetativa aguçada para ver este Orçamento", considerando que, tanto Bloco de Esquerda, como PCP são dois partidos que até aqui não “tinham pretensões a liderar”.

Estou para ver as propostas de um Bloco de Esquerda e de um PCP. É a primeira vez que é preparado nestas condições”, frisou Ferreira Leite, salientando que a proposta de Orçamento "não pode ser de coisas vagas, tem de ter coisas exequíveis".

Parece-me bastante difícil, porque o crescimento económico não é suficientemente elevado", considerou Ferreira Leite, adivinhando que o ministro das Finanças "não vai abdicar do défice zero".

Ainda hoje, a intervenção do FMI dá a sensação que está a dar força ao ministro para que consiga isso e esse vai ser obejtivo do ministro das Finanças: o défice zero", frisou Ferreira Leite.

A antiga ministra salientou ainda pretender ver no próximo Orçamento do Estado "qualquer coisa do que se pretende para o país", considerando que, por exemplo, "a descentralização, que era uma das bandeiras do Governo", está adiada, já que depois da lei-quadro, "os outros diplomas são algo que ainda não sabemos quando serão aprovados.