A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, disse esta quarta-feira que, do pouco que viu sobre o Programa Nacional de Reformas, não encontrou "grandes novidades", considerando que haverá muito tempo para o discutir.

No final de uma reunião de quase uma hora na sede nacional do PS, no Largo do Rato, Lisboa, com o secretário-geral do PS, António Costa, Assunção Cristas foi questionada pelos jornalistas sobre o Programa Nacional de Reformas, precisamente apresentado pelo primeiro-ministro na terça-feira.

Teremos oportunidade certamente de discutir o Plano Nacional de Reformas. Está a iniciar-se esse processo. O que eu lhe posso dizer, do pouco que eu vi, é que não vi grandes novidades nessa matéria, mas nós temos muito tempo para discutir esse plano, como aliás o Programa de Estabilidade", disse apenas.

A última pergunta dos jornalistas foi se a nomeação do Governador do Banco de Portugal esteve em cima da mesa da reunião entre centristas e socialistas, mas a líder do CDS-PP escusou-se a responder, dizendo apenas que não tinha "mais nada a acrescentar".

Interrogada sobre os apelos do Presidente da República, a líder centrista referiu que "o CDS tornou muito clara a sua posição no congresso de Gondomar".

"Seremos uma oposição firme ao Governo, uma oposição acutilante, mas também uma oposição construtiva", insistiu, referindo que um dos temas que preocupa o CDS passa pela "organização do trabalho ao longo da vida e reforma do sistema de pensões".

Segundo Assunção Cristas, esta foi "essencialmente uma reunião de cumprimentos, de cortesia e também de sinalização de viva voz daqueles que são os temas neste momento da linha da frente da ação, de estudo, de debate do CDS".

"Só me está a faltar o PAN, será a última. Certamente começamos pelo PSD. Com o PSD a conversa foi naturalmente mais longa", disse ainda referindo-se às reuniões que realizou com os partidos políticos com representação parlamentar.

Este encontro entre a comitiva do CDS-PP (composta ainda pelo líder da bancada parlamentar centrista, Nuno Magalhães, e pelo vice-presidente do partido Adolfo Mesquita Nunes) e os socialistas (representados também pelo líder da bancada parlamentar do PS, Carlos César, e pela secretária-geral-adjunta socialista Ana Catarina Mendes) realizou-se no âmbito dos encontros que Assunção Cristas está a realizar com partidos e instituições depois da sua eleição como líder do partido a 13 de março.

CDS não comenta promulgação do OE porque é tempo de "preparar outros debates"

A líder do CDS-PP escusou-se, também, a comentar a declaração ao país do Presidente da República sobre a promulgação do Orçamento do Estado, alegando que os centristas já disseram tudo sobre o diploma, sendo tempo "de preparar outros debates".

Assunção Cristas foi questionada pelos jornalistas sobre a comunicação ao país do Presidente da República, a propósito da promulgação do Orçamento do Estado para 2016, e foi perentória: "o que tivemos a dizer sobre o orçamento já foi dito e eu não tenho mais nada a acrescentar sobre essa matéria".

O CDS falou sobre o Orçamento do Estado, precisamente no final do debate do Orçamento do Estado quando foi discutido, debatido e aprovado no parlamento português. Esse é o tempo do CDS e entendemos que depois disso é o tempo de outros atores políticos, que certamente escolhem os seus momentos para falar e nós respeitamos, observamos, tomamos nota, mas o tempo do CDS já foi e neste momento estamos no tempo de preparar outros debates", respondeu apenas, apesar da insistência dos jornalistas.

Após ter sido eleita presidente do CDS-PP, a 13 de março em Congresso, Assunção Cristas tem realizado várias reuniões de cumprimentos com os vários partidos políticos e também já foi recebida pelo chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República promulgou o Orçamento do Estado para 2016 na segunda-feira.

Marcelo Rebelo de Sousa fez uma comunicação ao país na qual disse que não teve dúvidas de constitucionalidade, considerando que se trata de "uma solução de compromisso" entre Governo e instituições europeias.

Nesse dia, reagiram o PSD, PS, BE, PCP e PEV desde a Assembleia da República, não tendo havido qualquer comentário por parte do CDS-PP.

Depois da promulgação, o OE2016 foi hoje publicado em Diário da República, entrando em vigor na quinta-feira.