O PS advertiu esta quinta-feira que o valor final do défice para 2014 está «suspenso» até à venda do Novo Banco e que assim se percebe «a pressa», do Governo em vender esta instituição financeira até ao verão.

Esta posição foi assumida pelo deputado João Galamba, membro do Secretariado Nacional do PS, após o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter divulgado a primeira notificação do ano enviada para Bruxelas ao abrigo do Procedimento dos Défices Excessivos (PDE), na qual se estima que o défice terá ficado em 4,5 por cento no ano passado.

«Soubemos hoje que o défice para 2014 está suspenso, não havendo um valor final porque a operação de recapitalização do Novo Banco ainda não foi incluída no défice. Será apenas incluída no défice aquando da venda do Novo Banco», justificou o dirigente socialista, dizendo, depois, que assim se percebe também qual «a pressa do Governo em vender» essa instituição financeira até ao verão deste ano.


Caso a venda não ocorra até esse período, de acordo com João Galamba, os 3,9 mil milhões de euros colocados no Novo Banco entram para as contas do défice de 2014.

«Esta operação de anunciar a venda até ao verão permite que o défice fique em suspenso e que o INE não apresente o valor final do défice. Só saberemos o valor final aquando da venda. Mas uma coisa sabemos já com certeza absoluta: Qualquer valor abaixo dos 3,9 mil milhões de euros irá aumentar o défice de 2014», alegou ainda o deputado do PS.

No que respeita aos dados hoje divulgados pelo INE sobre a evolução da economia portuguesa desde 2012, João Galamba considerou que «os números do PDE para 2014 e a realidade que foi conhecida não são bonitos».

«Já sabíamos que estávamos mal, mas o INE divulgou hoje que Portugal estava bastante pior do que se pensava, porque não há memória de uma revisão em alta de uma recessão e de uma queda do PIB (Produto Interno Bruto) em 2012 e 2013 como aquela que foi apresentada», sustentou o membro da direção nacional do PS.


De acordo com João Galamba, ao contrário de estimativas que indicavam que Portugal teria recuado nesse período de recessão cerca de dez anos em matéria de PIB e cerca de 15 anos em matéria de emprego, "afinal, hoje ficou a saber-se que o país recuou 15 anos em matéria de PIB".

«A recessão em 2012 e 2013 foi muito pior do que se esperava. O PIB afinal não caiu cinco por cento mas 6,5 por cento. Se os números já eram trágicos, sabemos agora que foram muito piores», acrescentou João Galamba à Lusa.

Por seu turno, o PCP desvalorizou a redução do défice em 0,3 pontos percentuais entre 2013 e 2014, salientando, pelo contrário, que se registou um aumento da dívida e uma transferência de rendimentos para setores especulativos.

Esta posição foi assumida pelo deputado comunista Paulo Sá, na Assembleia da República, em reação ao anúncio pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de que o défice orçamental ficou em 2014 em 4,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

«Após um ano de medidas de austeridade, de empobrecimento dos portugueses e de afundamento da economia nacional, registou-se uma redução do défice de apenas três décimas. Mais importante que tudo à custa de quem este défice foi reduzido», referiu o deputado do PCP à Lusa.


Segundo Paulo Sá, pelos dados do INE relativamente aos principais agregados das administrações públicas, «demonstra-se que houve cortes superior a 1,1 mil milhões de euros em salários, em prestações sociais e em investimento público» em 2014.

«Ao mesmo tempo, a dívida aumentou 5,6 mil milhões de euros e os juros da mesma dívida pública subiram 260 milhões de euros. Ou seja, estes números do INE caraterizam de forma muito clara a natureza da política do Governo: Tirar a quem vive do seu trabalho, transferindo a riqueza para banqueiros, especuladores e agiotas», sustentou o deputado comunista.

Também o BE não se congratulou com os números do dédice. O líder parlamentar do BE destacou o «buraco dos sacrifícios» ao qual o Governo da maioria PSD/CDS-PP conduziu Portugal, referindo-se ao recuo histórico do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

«A quebra do PIB no ano de 2012 foi realmente a demonstração do buraco dos sacrifícios a que PSD e CDS obrigaram o país, onde nos meteram. Essas escolhas não existem sem consequências. Essa perda da riqueza repercute-se depois em 2013 e em 2014», afirmou Pedro Filipe Soares, no parlamento.